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Banco Central lança duplicata escritural na próxima semana

BC lança em 30 de junho o ecossistema de duplicatas escriturais, que inicia a negociação digital dos títulos e promete reduzir o custo do crédito.

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O Banco Central marcou para a próxima terça-feira (30) o lançamento do ecossistema de duplicatas escriturais. O evento marca o início da negociação desses títulos no país e abre uma nova fonte de garantia para o mercado de crédito.

O que o BC espera da duplicata escritural

Frente Efeito esperado pelo BC
Informação Redução de assimetrias de informação
Jurídico Maior segurança jurídica nas operações
Crédito Potencial diminuição do custo do crédito

Benefícios citados pelo BC em nota. Fonte: Valor Econômico

O que entra em operação no dia 30

A abertura do evento, em Brasília, contará com a participação do diretor de regulação do BC, Gilneu Vivan, além de autoridades do Ministério da Fazenda, do setor produtivo e do sistema financeiro. A cerimônia ocorre das 14h às 16h30 e oficializa a fase de negociação das duplicatas em formato digital, na qual cada título recebe autenticação eletrônica e tem seus eventos registrados de forma padronizada.

“A entrada em operação do ecossistema dá início a um novo estágio de maturidade do projeto e deve trazer benefícios como redução de assimetrias de informação, maior segurança jurídica nas operações e potencial diminuição do custo do crédito, com efeitos concretos na economia real”, disse o BC, em nota. A padronização busca reduzir o risco de comprar recebíveis duplicados ou problemáticos, um ponto sensível para quem opera antecipação de faturas.

Por que isso mexe com o crédito

A duplicata é um dos lastros mais usados na antecipação de recebíveis, mas a versão em papel sempre conviveu com fraude e falta de rastreabilidade. Ao transformar o título em registro eletrônico verificável, o BC tenta destravar um estoque de garantias que hoje circula pouco. Estimativas do mercado apontam que a digitalização pode destravar mais de R$ 11 trilhões em crédito corporativo ao dar liquidez a recebíveis que antes ficavam parados.

O movimento chega num momento de expansão das operações lastreadas em faturas. Fintechs já avançam sobre o segmento, como mostra o lançamento da antecipação de recebíveis sem nota fiscal para PJ, e a infraestrutura de registro vem sendo concentrada em entidades autorizadas pelo BC. A entrada da duplicata escritural padroniza esse trilho e tende a redesenhar como fundos de recebíveis e securitizadoras estruturam suas carteiras.

O que observar

O ganho prometido pelo BC é a queda no custo do crédito, mas ele depende de adesão real dos emissores. O próprio evento marca o início da negociação desses títulos em escala, e a pergunta é se a autenticação digital basta para tirar as duplicatas da gaveta ou se ainda faltam incentivos para que empresas e instituições migrem do papel. Vale acompanhar o ritmo de registro nos primeiros meses, porque o efeito sobre a taxa só aparece quando o volume ganha escala.

O segundo ponto é competitivo. Padronização e rastreabilidade reduzem a barreira de entrada para gestoras de fundos de recebíveis e securitizadoras independentes, que passam a comprar garantias com menos risco de duplicidade. Se o ambiente realmente diminui a assimetria de informação, a disputa por spread no crédito a empresas tende a ficar mais acirrada, e o teste será ver se a economia chega ao tomador final ou fica retida na intermediação.

Fontes: Valor EconômicoIstoÉ Dinheiro

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