Ir para o conteúdo

Caso MasterRegulação · Banco Master

BC liquida Sefer e bloqueia bens de controladores

O BC liquidou a Sefer Investimentos, gestora ligada ao esquema do Banco Master, e tornou indisponíveis os bens de controladores e ex-administradores.

por

· 3 min

Atualizado em

Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Banco Central decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, distribuidora de títulos que administrava fundos ligados ao esquema de fraudes do Banco Master. Com a decisão, ficaram indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da instituição, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Liquidação da Sefer Investimentos em números

Indicador Situação
Segmento prudencial S4 (instituições de menor porte)
Participação no ativo do SFN Menos de 0,0004%
Recursos de terceiros administrados 0,17%
Motivo declarado pelo BC Risco anormal a credores e graves violações de normas

Dados da decisão de liquidação extrajudicial do BC, 26/06/2026. Fonte: CNN Brasil

A teia de fundos por trás do caso Master

Enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, a faixa de menor porte do sistema, a Sefer tem peso marginal no mercado: menos de 0,0004% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional e 0,17% dos recursos de terceiros. O problema não está no tamanho, e sim no papel que a distribuidora teria cumprido na engrenagem investigada.

Segundo o Ministério Público, a Sefer é controlada por Benjamin Botelho de Almeida, apontado como suspeito de atuar como operador financeiro de Daniel Vorcaro, controlador do Master. Dono do conglomerado e preso novamente no curso das investigações, Vorcaro teve o banco liquidado no fim de 2025. As apurações já levaram a buscas por arte e imóveis no exterior e a cobranças de credores como a Tether.

O alcance do bloqueio de bens

A partir desta sexta, ficaram indisponíveis os bens de Botelho e de outros 12 administradores e ex-administradores, além de quatro empresas controladoras: Sefer Participações, Seferpar, Brazilpar Investments e Lyon Investments. O Banco Central justificou a medida pelo comprometimento da situação econômico-financeira da distribuidora, que sujeitaria seus “credores quirografários a risco anormal”, e por “graves violações às normas legais” que disciplinam a atividade da instituição.

A autoridade monetária afirmou que seguirá apurando responsabilidades. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, informou o BC em nota. O rombo do Master também já provocou mudanças nas regras do FGC.

O que observar

A liquidação da Sefer mostra que o desdobramento regulatório do caso não se encerra na instituição que deu origem ao esquema. Distribuidoras e administradoras fiduciárias de menor porte que teriam servido de canal para fundos sob suspeita tendem a entrar no radar à medida que as fases da investigação avançam. Vale acompanhar se o supervisor passa a tratar a estrutura de fundos como vetor de apuração por si só, e não apenas as instituições de grande porte.

A indisponibilidade de bens que alcança holdings no exterior levanta a pergunta sobre o que sobra para os credores quirografários, os últimos na fila em uma liquidação. Se o cruzamento entre autoridade monetária, Ministério Público e investigação criminal se firmar como padrão, o custo de operar como elo financeiro em estruturas de títulos sob suspeita sobe de forma relevante para administradores fiduciários.

Fontes: Valor EconômicoCNN BrasilSeu Dinheiro

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.