O Banco Central decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, distribuidora de títulos que administrava fundos ligados ao esquema de fraudes do Banco Master. Com a decisão, ficaram indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da instituição, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
Liquidação da Sefer Investimentos em números
| Indicador |
Situação |
| Segmento prudencial |
S4 (instituições de menor porte) |
| Participação no ativo do SFN |
Menos de 0,0004% |
| Recursos de terceiros administrados |
0,17% |
| Motivo declarado pelo BC |
Risco anormal a credores e graves violações de normas |
Dados da decisão de liquidação extrajudicial do BC, 26/06/2026. Fonte: CNN Brasil
A teia de fundos por trás do caso Master
Enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, a faixa de menor porte do sistema, a Sefer tem peso marginal no mercado: menos de 0,0004% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional e 0,17% dos recursos de terceiros. O problema não está no tamanho, e sim no papel que a distribuidora teria cumprido na engrenagem investigada.
Segundo o Ministério Público, a Sefer é controlada por Benjamin Botelho de Almeida, apontado como suspeito de atuar como operador financeiro de Daniel Vorcaro, controlador do Master. Dono do conglomerado e preso novamente no curso das investigações, Vorcaro teve o banco liquidado no fim de 2025. As apurações já levaram a buscas por arte e imóveis no exterior e a cobranças de credores como a Tether.
O alcance do bloqueio de bens
A partir desta sexta, ficaram indisponíveis os bens de Botelho e de outros 12 administradores e ex-administradores, além de quatro empresas controladoras: Sefer Participações, Seferpar, Brazilpar Investments e Lyon Investments. O Banco Central justificou a medida pelo comprometimento da situação econômico-financeira da distribuidora, que sujeitaria seus “credores quirografários a risco anormal”, e por “graves violações às normas legais” que disciplinam a atividade da instituição.
A autoridade monetária afirmou que seguirá apurando responsabilidades. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, informou o BC em nota. O rombo do Master também já provocou mudanças nas regras do FGC.
O que observar
A liquidação da Sefer mostra que o desdobramento regulatório do caso não se encerra na instituição que deu origem ao esquema. Distribuidoras e administradoras fiduciárias de menor porte que teriam servido de canal para fundos sob suspeita tendem a entrar no radar à medida que as fases da investigação avançam. Vale acompanhar se o supervisor passa a tratar a estrutura de fundos como vetor de apuração por si só, e não apenas as instituições de grande porte.
A indisponibilidade de bens que alcança holdings no exterior levanta a pergunta sobre o que sobra para os credores quirografários, os últimos na fila em uma liquidação. Se o cruzamento entre autoridade monetária, Ministério Público e investigação criminal se firmar como padrão, o custo de operar como elo financeiro em estruturas de títulos sob suspeita sobe de forma relevante para administradores fiduciários.
Fontes: Valor Econômico • CNN Brasil • Seu Dinheiro