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BC prepara medidas para cartão de crédito e não consignado

Diretor de Fiscalização do BC aponta a transparência como primeiro foco e cita cartão de crédito e crédito não consignado como alvos das medidas.

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Diego Grandi / Shutterstock.com

O cartão de crédito e o crédito pessoal sem desconto em folha viraram o alvo declarado da próxima rodada regulatória do Banco Central, e a transparência é o ponto de partida. O endereço foi dado pelo diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, seis dias depois de o comunicado do Comef registrar a mesma intenção.

Do comunicado do Comef à fala do diretor

Quando O que ficou registrado
26 de agosto de 2026 Comef mantém o adicional contracíclico de capital dos bancos em 0% e escreve que o BC prepara medidas para as modalidades mais onerosas da dívida das famílias
1º de setembro de 2026 Diretor de Fiscalização põe a transparência como primeiro foco e nomeia cartão de crédito e crédito não consignado
2 de setembro de 2026 BC publica a ata da reunião de agosto do Comef

Comunicado nº 45.824 do Comef e fala do diretor de Fiscalização no Zetta Summit 2026. Fontes: Banco Central e Valor Econômico

As duas linhas que o BC colocou no radar

No Zetta Summit 2026, em Brasília, Aquino afirmou que a diretoria da autarquia quer tratar o crédito mais caro como questão macroprudencial. “Isso será um elemento de debate com o Conselho Monetário Nacional e com a sociedade, mas a gente precisa endereçar a temática desse endividamento nas linhas mais caras, ou seja, cartão de crédito e não consignado”, afirmou o diretor.

O crédito pessoal não consignado é aquele que não tem desconto em folha, e é onde a conta sai mais cara que no consignado: quem toma sem garantia paga em média 142,7% ao ano, com dados do próprio regulador referentes a maio de 2026. Sobre o prazo, Aquino não cravou data: “Eu acredito que nos próximos meses nós vamos ter algumas medidas relevantes para o sistema financeiro”.

A prioridade declarada, porém, não é preço, e sim informação. “O primeiro foco é a transparência. A agenda que a gente vem trabalhando internamente é a transparência”, disse. Ele defendeu ainda que o Pix Crédito mostre ao cliente a taxa e o custo efetivo total da operação, o indicador que reúne juros, tarifas e encargos numa única conta.

O que o Comef já tinha escrito sobre o crédito caro

Na reunião de 26 de agosto de 2026, o Comef, colegiado que cuida da estabilidade financeira no BC, manteve o adicional contracíclico de capital dos bancos em 0%, o instrumento que exige reserva extra quando o crédito acelera. No mesmo Comunicado nº 45.824, deixou registrado que “o Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos decorrentes dessa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”. O Let’s Money mostrou em agosto de 2026 que o BC prepara medidas contra o crédito mais caro às famílias.

O supervisor também ligou o endividamento às casas de apostas. “É indiscutível que bets são um elemento central do endividamento das famílias”, afirmou Aquino, que questionou se é possível existir carteira digital que possa “burlar e abastecer créditos para as bets”. Em maio de 2026, o BC já havia tratado as apostas online como agravante do endividamento.

O que observar

Falta saber o desenho. Obrigar a exibição de taxa e custo efetivo total muda a prateleira, mas não muda o preço; exigência de capital sobre carteiras rotativas e sobre crédito sem garantia mexe no bolso de quem origina e tende a chegar antes ao limite do cliente. Vale acompanhar se a ata da reunião de agosto do Comef, publicada nesta quarta-feira, detalha o instrumento escolhido, e se emissores de cartão e fintechs de crédito ao consumo passam a rever limites antes de a regra sair. A pergunta que fica é quanto do endividamento hoje concentrado nas modalidades caras migra para linhas com garantia, e quanto simplesmente sai do sistema formal.

Fontes: Valor EconômicoBanco Central do BrasilLet’s Money

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