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Pesquisabanco central · Banco Central

Riscos políticos entram no radar das instituições financeiras, mostra pesquisa do BC

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· 2 min

Atualizado em

Foto de Ramon Buçard na Unsplash

Riscos políticos passaram a figurar entre as maiores preocupações das instituições financeiras brasileiras, ao lado do já dominante risco fiscal. O dado vem da pesquisa de estabilidade financeira do Banco Central, que ouviu participantes do sistema sobre os principais fatores de atenção. O risco fiscal segue como fator mais citado, apontado por 52% dos respondentes.

O que preocupa as instituições financeiras
52%
Risco fiscal
16%
Cenário internacional
12%
Inadimplência / atividade econômica
3%
Inflação doméstica (era 5%)
Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório de Estabilidade Financeira.

Risco fiscal com probabilidade ‘média-alta’

As preocupações fiscais incluem sustentabilidade da dívida pública, eficácia do arcabouço fiscal e impactos sobre preços de ativos e política monetária. Os respondentes classificaram a probabilidade de materialização do risco fiscal como “média-alta”, com impacto esperado no sistema financeiro nacional classificado como “alto”.

No cenário internacional, conflitos geopolíticos, eleições nos EUA, crescimento da China e a direção da política monetária americana concentram as atenções. A inadimplência e a atividade econômica mantiveram-se estáveis em 12%, enquanto a inflação doméstica recuou de 5% para 3% como fator de preocupação, refletindo a percepção de que o ciclo de aperto monetário está controlando as expectativas inflacionárias.

Novos riscos no radar do BC

O Banco Central vem incorporando riscos ambientais, geopolíticos e socioambientais ao seu arcabouço de estabilidade financeira. O dado sobre riscos políticos é particularmente relevante porque indica que as instituições percebem instabilidade política como fator com potencial de impactar diretamente a alocação de capital e o apetite por crédito.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem reforçado a importância de monitoramento contínuo de riscos sistêmicos. A pesquisa serve como insumo para as decisões do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que avalia trimestralmente a resiliência do sistema.

O que observar

A entrada dos riscos políticos no radar pode influenciar decisões de alocação de capital e apetite por crédito. Instituições que percebem maior risco político tendem a reduzir exposição a ativos de longo prazo e aumentar posições de liquidez, o que pode afetar a oferta de crédito em um ambiente de juros já elevados.

Vale acompanhar como a próxima edição da pesquisa refletirá o cenário pós-CPMI do INSS e as discussões sobre política monetária. Se o risco político se consolidar como fator recorrente, pode alterar estruturalmente o prêmio de risco do sistema financeiro brasileiro.

Fontes: Valor Econômico · Agência Brasil

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