O Banco Central informou que os brasileiros tinham R$ 10,32 bilhões esquecidos em instituições financeiras até abril de 2026, segundo o Sistema Valores a Receber (SVR). São R$ 7,92 bilhões de 45,3 milhões de pessoas físicas e R$ 2,41 bilhões de 5,01 milhões de empresas. Parte desse dinheiro vai bancar os descontos do Desenrola Brasil 2.0.
Quem tem valores a receber até abril de 2026
| Titular |
Valor |
Beneficiários |
| Pessoas físicas |
R$ 7,92 bi |
45,3 milhões |
| Pessoas jurídicas |
R$ 2,41 bi |
5,01 milhões |
| Total |
R$ 10,32 bi |
50,3 milhões |
Sistema Valores a Receber (SVR) do BC, posição de abril de 2026. Fonte: Valor
Quem guarda o dinheiro esquecido
A maior parte dos valores está nos bancos, com R$ 5,94 bilhões, seguidos pelas administradoras de consórcios, com R$ 2,63 bilhões, e pelas cooperativas, com R$ 979 milhões. A distribuição entre beneficiários mostra que o esquecimento é, na maioria, de quantias pequenas: 64,57% das pessoas têm até R$ 10 a receber e 23,42% ficam entre R$ 10,01 e R$ 100. Valores acima de R$ 1.000,01 aparecem em apenas 2,10% dos casos. A consulta é feita no sistema oficial do Banco Central, com acesso por conta Gov.br.
Como os recursos vão para o Desenrola 2.0
A equipe econômica do governo federal pretende usar de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões desses recursos para viabilizar os descontos do Desenrola Brasil 2.0. Segundo o Ministério da Fazenda, as instituições financeiras repassaram R$ 5,7 bilhões ao Fundo Garantidor de Operações (FGO) em maio de 2026, montante que será usado para permitir perdão de 30% a 90% em dívidas. As operações só serão contabilizadas na próxima divulgação do Banco Central.
Esse desenho já apareceu antes: o Let’s Money mostrou como parte dos valores esquecidos no BC seria direcionada ao Desenrola 2.0 e como os R$ 5,7 bilhões em dinheiro esquecido viraram garantia do programa. O Ministério da Fazenda afirmou que “os valores transferidos ao FGO ainda podem ser reivindicados pelos titulares”.
O que observar
O estoque de valores esquecidos é renovado a cada divulgação: à medida que titulares sacam, novos registros entram. Por isso o número se mantém na casa dos R$ 10 bilhões mesmo após anos de resgates. O dado relevante não é o total, e sim quem o detém: como a maioria tem quantias mínimas, o custo de localizar e resgatar muitas vezes supera o valor a receber, o que ajuda a explicar por que tanto dinheiro segue parado.
O ponto a acompanhar é o uso desse estoque dormente como fonte de financiamento para política pública de renegociação. Usar recursos de titulares para garantir perdão de dívidas levanta a questão de como fica preservado o direito de quem ainda não sacou, especialmente quando o repasse ocorre antes do resgate. Vale observar se o canal de contestação será claro e tempestivo, e se a operação abre precedente para que outros fundos esquecidos no sistema financeiro sejam mobilizados com a mesma lógica.
Fontes: Valor • Agência Brasil • Banco Central