Ir para o conteúdo

Open Financebanco central · Banco Central

Open Finance espera regra do BC sobre venda de dados

Ana Carla Abrao afirma que o BC prepara mudancas e que o setor espera regras mais claras sobre o compartilhamento de dados obtidos via Open Finance.

por

· 3 min

Atualizado em

O Banco Central “está preparando evoluções” na regulação do Open Finance, mas ainda não anunciou o que vai mudar. Quem afirma é Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance Brasil, em entrevista à CNN. Segundo ela, a expectativa do setor é que as novas regras, que podem sair em até 60 dias, deixem mais claras as condições de compartilhamento de dados, sobretudo quando a informação sai do ecossistema, e reforcem que o dado autorizado pelo cliente não pode ser revendido a terceiros.

O Open Finance em números

Indicador Valor
Instituições conectadas 770
Chamadas de dados por mês Cerca de 45 bilhões
Consentimentos 220 milhões
Adesão 1 em cada 2 brasileiros com 2+ contas correntes

Dados citados por Ana Carla Abrão em 9 de julho de 2026. Fonte: CNN Brasil

O que o setor espera da nova regra

Na leitura de Abrão, o ponto a endereçar é a brecha em que dados compartilhados entre instituições reguladas acabam chegando a empresas de fora do sistema. Ela deu como exemplo o financiamento de uma passagem aérea: quando o cliente autoriza a abertura dos dados do banco para a companhia aérea viabilizar a operação, precisa ser informado de forma clara para onde a informação vai e com qual objetivo. O Banco Central já elevou o capital requerido para instituições que armazenam dados no fim do ano passado e, segundo ela, estuda ampliar o escopo da regulação.

“A pessoa tem que saber que o dado está indo para determinada instituição financeira. Se esse dado vazar ou for vendido, é aquela instituição que cometeu um delito, uma vez que a pessoa não deu a autorização para que vendesse seu dado”, afirmou Abrão. Segundo ela, “a regra deve deixar explícito que os dados não podem ser vendidos”. A discussão se soma a um debate regulatório mais amplo, num momento em que o Banco Central estuda mudanças nas regras do Open Finance.

Um sistema que já opera em escala

Abrão reforçou que o ecossistema deixou de ser promessa. São 770 instituições conectadas, cerca de 45 bilhões de chamadas de dados por mês e 220 milhões de consentimentos. Em pesquisa citada por ela, para cada dois brasileiros que têm pelo menos duas contas correntes, ao menos um já está no Open Finance. A mesma associação que celebrou os cinco anos do sistema e projetou seus próximos passos agora concentra esforços na transparência das autorizações e dos consentimentos.

Ainda não há uma medição concreta de quanto o Open Finance reduziu juros e spread bancário. Segundo a executiva, a Associação criou uma área de avaliação de impacto em taxa de juros e serviços e firmou parcerias com universidades para medir esse efeito de forma independente. Os estudos devem ser divulgados até o fim deste ano.

O que observar

O ponto em que o setor pede clareza é onde termina o ambiente regulado e começa a zona cinzenta. Caso o Banco Central avance com novas regras, a pergunta que fica é como atribuir responsabilidade quando o dado, autorizado para uma finalidade, é repassado ou revendido a atores fora do sistema. Vale acompanhar se um eventual desenho vai mirar a instituição que originou o compartilhamento, quem recebeu o dado, ou ambos, porque disso depende o custo de compliance de quem hoje monetiza informação agregada.

Fontes: CNN BrasilLet’s MoneyLet’s Money Podcast

Correção (10 de julho de 2026, às 16h): título e texto foram atualizados para deixar claro que o Banco Central ainda não definiu novas regras. A matéria reflete a expectativa manifestada por Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance Brasil, em entrevista à CNN, e não uma decisão confirmada do BC.

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.