O Brasil tem hoje 81,7 milhões de inadimplentes e mais de R$ 518 bilhões em dívidas em atraso. Os números são do relatório “Da originação à cobrança”, publicado pela Belvo, que defende uma virada concreta na cobrança brasileira: do reativo (régua de calendário) para o contínuo (saldo e comportamento via Open Finance, com agentes de inteligência artificial conduzindo a negociação por WhatsApp).
Segundo a Belvo, esse desenho eleva em 30% a taxa de contato assertivo, em 20% a recuperação e corta em 60% o custo por dívida recuperada. A eficiência da cobrança, defende o relatório, deixou de ser uma questão operacional e passou a ser estratégica.
O custo de cobrar pelo calendário
A régua de cobrança convencional ignora completamente o contexto financeiro do devedor no momento da abordagem. Ela dispara na data certa do calendário, não no momento certo para a conta bancária. O resultado é previsível: tentativas em conta zerada, comunicações ignoradas, custo operacional alto e taxa de recuperação baixa. Cada posição de atendimento em call center tradicional, segundo o relatório, custa cerca de R$ 9.000 por mês, com baixas taxas de contato efetivo.
“O dado que aprova o crédito na largada é o ativo mais valioso na hora de recuperá-lo. Ao unir os sinais de Open Finance com agentes de IA, a instituição deixa de depender da capacidade humana e de um call center. Ela passa a ter um negociador autônomo e incansável, que entende o fluxo de caixa e os hábitos financeiros do cliente, agindo no momento certo”, afirma Rafael Noguerol, Product Strategy Manager na Belvo.
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Pix Inteligente: do saldo ao pagamento sem fricção
A primeira camada da nova lógica é o Pix Inteligente. O caminho entre “há saldo na conta” e “a parcela foi paga” passou a ser direto, automático e instantâneo. Sem boleto para escanear, mensagem para responder ou ligação para atender. O dado transacional acessado via Open Finance vira o gatilho: quando aparece saldo, a cobrança dispara, no canal certo, no momento certo.
Quando a dívida precisa de conversa
Nem toda dívida se resolve com um Pix automático. Para os casos em que o devedor precisa de negociação, parcelamento diferente, prazo ajustado ou simplesmente de uma conversa empática que respeite o momento, entram os agentes de IA conectados ao Open Finance. Eles analisam saldo disponível, timing de recebimentos e sinais de comportamento financeiro, e só abordam quando há real capacidade de pagamento. A negociação acontece por WhatsApp ou voz, 24 horas por dia, com tom e proposta adaptados ao perfil financeiro de cada devedor, sem estrutura de call center e sem custo fixo por atendente.
A demo dessa camada foi apresentada no Let’s Money, em conversa com Leandro Piano, CFO e General Manager da Belvo, e Rafael Noguerol.
A infraestrutura já existe
O relatório lembra que o gargalo da adoção não está mais na disponibilidade de dados. Em fevereiro de 2026, o ecossistema brasileiro de Open Finance reunia mais de 100 milhões de clientes ou contas conectadas e 154 milhões de consentimentos ativos. Entre 2024 e 2025, o crescimento de consentimentos únicos foi de 143%. A infraestrutura regulatória está construída, supervisionada pelo Banco Central, operando sob LGPD e com padrões técnicos robustos. O que ainda trava, segundo a Belvo, é a integração com os sistemas legados de cobrança e a capacidade de transformar dado em decisão.
Para quem está em concessão de crédito e operações de cobrança, a virada proposta pela Belvo combina dois movimentos. De um lado, o Pix Inteligente como gatilho automático para devedores com capacidade de pagamento. De outro, o agente de IA para os casos que pedem conversa. O mesmo dado que aprovou o crédito na largada é o que orienta a recuperação. Como benchmark setorial, a Belvo cita o relatório Gitnux 2025, que aponta ganho de 25% nas taxas de recuperação e redução de 40% em custos operacionais para empresas que adotaram IA e automação nessa frente.