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Bemobi fatura R$ 729 mi e acelera virada para pagamentos

Empresa faturou R$ 729 mi em 2025 e comprou Paytime e Celer para avançar em pagamentos verticais. Com R$ 350 mi em caixa, planeja mais aquisições.

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Divulgação

A Bemobi fechou 2025 com receita líquida de R$ 729 milhões, alta de 20%, e consolidou a virada de modelo de negócio: pagamentos verticais já representam 43,2% do faturamento. A aquisição da Paytime, fintech de Payment as a Service (PaaS) white label, marca a entrada no modelo B2B2B voltado a ecossistemas e marketplaces.

Receita da Bemobi por divisão (4T25)

Divisão % da receita Variação anual
Pagamentos verticais 43,2% +50%
SaaS 21,5% +23%
Assinaturas digitais 25,2% Em queda
Microfinanças 10,1% Estável

Breakdown da receita líquida no 4T25. Fonte: Bloomberg Línea

De “Netflix dos Apps” a empresa de pagamentos

A transformação começou há quatro anos. No IPO de 2021, 75% da receita vinha de assinaturas de apps e jogos vendidos por operadoras. Hoje, pagamentos e SaaS juntos respondem por 65% do faturamento. A estratégia se apoia em pagamentos recorrentes para setores como telecomunicações, saneamento, energia e saúde, com clientes como Vivo, Tim, Sabesp, Copel e Hapvida. “Nós focamos na especialização, entendendo o que é mais importante para elas, porque as indústrias não são todas iguais”, disse Pedro Ripper, CEO e cofundador da Bemobi, à Bloomberg Línea.

A Bemobi já vinha acelerando em aquisições: foram sete desde o IPO, incluindo a Paytime por até R$ 55 milhões (R$ 28 milhões iniciais com earn-out até 2027) e a Celer, fintech de gateway adquirida da Casas Bahia por R$ 8,8 milhões. As duas integram a nova unidade de PaaS. Com R$ 350 milhões em caixa e lucro de R$ 161 milhões em 2025 (+34%), a empresa planeja manter o ritmo. “No ano passado, foram umas 100 e fechamos duas. E vamos continuar olhando”, afirmou Ripper.

A nova fronteira é o modelo B2B2B para ecossistemas como franquias e cadeias de distribuição, onde o split de pagamentos, a redução de bitributação e soluções de crédito embutido ganham escala. A Bemobi já opera um orquestrador de Pix para pagamentos recorrentes e agora adiciona a plataforma da Paytime, que conta com mais de 700 parceiros ativos e conecta 300 mil estabelecimentos com TPV de R$ 15 bilhões ao ano.

O que observar

A migração de empresas de assinaturas digitais para pagamentos verticais cria um modelo híbrido que depende de escala em setores específicos. A vantagem está na recorrência: concessionárias de energia e operadoras de telecomunicações geram volumes previsíveis. O risco é a dependência de poucos setores regulados, onde mudanças de concessão ou política tarifária podem afetar a base de clientes. Vale acompanhar se o modelo B2B2B voltado a ecossistemas e marketplaces ganha tração suficiente para compensar a desaceleração do negócio legado de assinaturas.

Fontes: Bloomberg LíneaBrazil JournalLet’s Money

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