O mercado de apostas online no Brasil somou receita bruta estimada em R$ 37 bilhões em 2025, com mais de 25 milhões de usuários em pelo menos uma das 79 plataformas autorizadas, e passou a concorrer diretamente com seguros, previdência e Tesouro Direto pelo orçamento do consumidor, aponta estudo da Tendências Consultoria em parceria com a Peers Consulting+Technology.
Bets no Brasil: o tamanho do mercado em 2025
| Indicador |
Dado |
| Receita bruta estimada |
R$ 37 bilhões |
| Usuários com apostas em 2025 |
25 milhões+ |
| Plataformas autorizadas |
79 |
| Posição global |
5º maior mercado |
| Brasileiros que apostaram (Anbima) |
17% (ante 15% na pesquisa anterior) |
| Geração Z (1995-2010) |
27% com apostas online |
Dados do mercado de apostas online no Brasil em 2025. Fonte: Valor Econômico
O bolso que as bets disputam
A competição pelo orçamento vai além de lazer. Segundo o estudo, 23% dos apostadores reduziram compras de vestuário e 19% cortaram gastos em supermercados. O impacto financeiro direto é descrito pela economista Alessandra Ribeiro, da Tendências: “A pessoa coloca dinheiro lá, em vez de ir para o Tesouro Direto ou comprar um seguro. Com R$ 200, que pode ser uma média de gasto mensal, poderia ter um seguro de vida, de desemprego.”
Um contraponto relevante vem de estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR), que aponta que apostas representam apenas 0,46% do consumo das famílias. A divergência entre os levantamentos reflete a dificuldade de medir um setor onde, segundo as projeções da Tendências, o mercado informal ainda pode representar 85% da receita bruta total. As apostas já vinham registrando crescimento e risco financeiro crescente desde antes da regulação formal.
O modelo que o setor financeiro pode aprender
Andreas Bethains, líder de pesquisa da Peers, defende que o design das bets, como a possibilidade de apostar a R$ 1 via Pix, é uma aula de aquisição de clientes com custo baixo, e que serviços financeiros poderiam aplicar essa lógica para atrair o consumidor para previdência e seguros. O argumento ganha peso na faixa etária mais jovem: millenials respondem por 22% dos apostadores e a geração Z por 27%, justamente o público com menor penetração de produtos de proteção financeira.
O surgimento do mercado preditivo adiciona uma camada nova à disputa. Fernando Carvalho, fundador da VoxFi, plataforma de previsões lançada no Brasil em março enquadrada como jogo de habilidade, aponta que o modelo “se associa mais à lógica do mercado financeiro, está onde tem uma certa formação de preços dos ativos”. O mercado de previsões já movimenta volumes expressivos globalmente, como os US$ 529 mi registrados pelo Polymarket em apostas sobre o Irã.
O que observar
A sobreposição de perfil entre apostadores e consumidores-alvo de produtos financeiros de baixo ticket coloca uma questão prática para gestoras de previdência e seguradoras digitais: o mesmo consumidor que aposta R$ 1 via Pix é o target de produtos que ainda têm custo de aquisição elevado. Vale acompanhar se a simplicidade de onboarding e o modelo de ticket mínimo das plataformas de apostas começam a influenciar o design de produtos financeiros voltados à base da pirâmide, especialmente em previdência aberta e microsseguros.
O avanço do mercado preditivo, ainda sem regulação definitiva no Brasil, adiciona uma variável: plataformas com mecânica P2P e liquidez antes do evento disputam a mesma atenção e orçamento que produtos de investimento. A pergunta é se a gratificação rápida dessas plataformas cria engajamento sustentável ou concentra os mesmos padrões de comportamento identificados nas apostas tradicionais, com implicações para o endividamento da base de renda mais baixa.
Fontes: Valor Econômico • Poder360 • Finsiders Brasil • Let’s Money • Let’s Money