A Blips, fintech de venda e financiamento de equipamentos para pequenas e médias empresas que já originou mais de R$ 750 milhões em crédito produtivo desde 2019, criou a Finza, uma operação independente para conectar a indústria com micro e pequenos empreendedores. Nos primeiros dois meses de 2026, a nova fintech emitiu R$ 4 milhões em Cédulas de Crédito Bancário, quadruplicando o volume inicial.
Blips + Finza — números da operação
CCBs emitidas (jan-fev/26)
R$ 4 mi
4x o volume inicial
Carteira projetada 2026
R$ 40 mi
Finza independente
Inadimplência
1-2%
Mercado PME: ~5%
Motor de crédito com IoT embarcado
A Finza combina um motor proprietário de análise de crédito com monitoramento via tecnologia embarcada nos equipamentos financiados e uma plataforma estruturada de cobrança. A taxa de inadimplência fica entre 1% e 2% ao mês, contra uma média de 5% para crédito PME no mercado brasileiro. O diferencial está na colateralização: o próprio equipamento funciona como garantia e pode ser monitorado remotamente.
As modalidades incluem financiamento com entrada de 20% a 30% e parcelas em 36 meses, leasing operacional com aluguel fixo e mínimo de 3 anos, e venda direta. A empresa já tem parcerias consolidadas com fabricantes como Rhino, Raizen Machine e Mak CNC, e projeta encerrar 2026 com carteira de R$ 40 milhões.
Crédito produtivo para PMEs
O crédito para aquisição de equipamentos é um dos segmentos mais subatendidos no Brasil. Bancos tradicionais exigem garantias reais e histórico de crédito que a maioria dos micro e pequenos empreendedores não possui. A Blips resolveu parte desse problema usando dados de utilização do equipamento como proxy de capacidade de pagamento.
A trajetória da Blips mostra escala: R$ 200 milhões originados em 2025, projeção de R$ 350 milhões em 2026 e meta de R$ 1 bilhão em 2027. A criação da Finza como entidade independente sugere que a empresa quer separar a operação de crédito para micro e pequenas empresas da operação de financiamento para empresas maiores.
O que observar
A combinação de IoT embarcado para monitoramento, modelos de crédito proprietários e colateral físico pode criar uma vantagem competitiva difícil de replicar no financiamento de ativos produtivos. Se a inadimplência se mantiver nos níveis atuais enquanto a carteira escala de R$ 4 milhões para R$ 40 milhões, o modelo estará validado para uma expansão mais agressiva.
Vale acompanhar a entrada em novos segmentos industriais além dos atuais parceiros e se a Finza buscará rodada própria de investimento para acelerar o crescimento independente da Blips.
Fontes: Startupi