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Block pede licença de banco nos EUA para custodiar cripto

A Block, de Jack Dorsey, pediu ao OCC dos EUA licença de banco fiduciário para custodiar bitcoin e stablecoins, sem aceitar depósitos nem dar crédito.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Shutterstock

A Block, dona do Square e do Cash App e comandada por Jack Dorsey, pediu ao regulador de bancos dos EUA uma licença de banco fiduciário para custodiar bitcoin e stablecoins. Se aprovado, o pedido cria o Builders Bank & Trust, um banco sem seguro que não aceita depósitos nem concede empréstimos.

O pedido da Block ao OCC

Item Detalhe
Instituição proposta Builders Bank & Trust, N.A.
Tipo Banco fiduciário nacional sem seguro, sem depósitos e sem empréstimos
Função Custódia de bitcoin, stablecoins e serviços fiduciários
Comando Lee Woolley, líder de estratégia de ativos digitais da Block
Situação Pedido enviado ao OCC, sujeito a aprovação

Pedido de licença apresentado pela Block. Fonte: PYMNTS

O que a Block quer com o Builders Bank

Segundo o comunicado divulgado na terça-feira, 8 de setembro, a Block enviou um pedido ao OCC, o órgão que regula os bancos nacionais dos EUA, para estabelecer uma licença de banco fiduciário nacional. É um formato que permite custodiar ativos e prestar serviços fiduciários dentro de um enquadramento federal, sem aceitar depósitos nem conceder empréstimos.

A empresa afirma que a licença criaria supervisão federal para atividades de custódia que já oferece hoje. O banco seria liderado por Lee Woolley, responsável pela estratégia de ativos digitais da Block e ex-presidente e CEO do Treasury Department Federal Credit Union, com passagens por Northern Trust e BNY Mellon. “Esperamos trabalhar com o OCC enquanto buscamos uma licença desenhada para apoiar a custódia segura de ativos para a Block e seus clientes”, disse Woolley, no comunicado.

O movimento amplia a aposta da Block em ativos digitais, mesma frente em que a empresa vem abrindo o score do Cash App a credores nos EUA. A busca por infraestrutura própria de custódia acompanha um movimento mais amplo de bancos e fintechs: o Citi, por exemplo, prepara a custódia de bitcoin em sua plataforma institucional.

A corrida das fintechs por licença nos EUA

O pedido da Block chega em meio a uma reabertura do apetite regulatório. Em comunicado de 11 de agosto, o OCC disse ter recebido 40 pedidos de novos bancos (de novo applications) nos 18 meses anteriores, contra apenas 48 pedidos em 14 anos, de 2011 a 2024, quando em três desses anos não houve nenhum. “A abertura de novos bancos é um sinal de um sistema bancário saudável”, disse Jonathan V. Gould, controlador da moeda dos EUA (Comptroller of the Currency).

Empresas de cripto e fintechs vêm tratando a licença bancária como ferramenta competitiva. Nomes como Coinbase, Paxos, BitGo, Ripple, Circle e Revolut já receberam aprovação condicional para charters federais. O caminho, porém, não é garantido: o mesmo regulador negou licença de banco à Wise, e os EUA prometem detalhar por que fintechs não conseguem virar banco.

O que observar

O desenho escolhido pela Block, um banco fiduciário sem depósitos e sem crédito, mira a custódia de ativos digitais sob regra federal em vez da conta corrente. Vale acompanhar se emissoras de stablecoin, corretoras de cripto e provedores de custódia passam a tratar o charter como pré-requisito para servir clientes institucionais.

A pergunta que fica é qual padrão de supervisão o regulador vai fixar para custódia de bitcoin e stablecoins conforme aprova ou nega os pedidos na fila. Se a exigência de licença se consolidar, provedores de custódia sem enquadramento federal podem enfrentar renegociação de contratos e revisão de compliance num horizonte curto.

Fontes: PYMNTSThe BlockLet’s MoneyLet’s Money

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