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BMP nega irregularidades e diz que falhas foram corrigidas

Instituição financeira divulga comunicado oficial detalhando sua versão sobre a Operação Cliente Fantasma e reforça que falhas apontadas já foram corrigidas

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Atualizado em

Foto: Reprodução

A BMP divulgou nesta quarta-feira (26) um comunicado oficial sobre as investigações da Polícia Federal. O pronunciamento responde à Operação Cliente Fantasma, deflagrada na véspera, que apura suspeitas de facilitação de lavagem de dinheiro envolvendo mais de R$ 25 bilhões.

O que diz a BMP sobre as investigações

No documento, a instituição reconhece que colabora desde 2023 com a 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo em dois processos: a Operação Alcaçaria e a Operação TaiPan. Segundo a BMP, o total de investigados que mantiveram alguma relação com a empresa soma até 33 clientes — menos de 0,1% do total de contas.

A empresa destaca que as autoridades investigam sua conduta em relação a reportes regulatórios ao CCS (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional) e ao COAF — e não um envolvimento direto com os réus. A BMP também reforça que a estrutura de BaaS (Banking as a Service) é a questionada, sem impacto na operação de crédito.

Mudanças estruturais e inspeção do Banco Central

Ainda segundo o comunicado, a instituição passou por inspeção específica de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) pelo Banco Central em 2024. A BMP afirma que não houve aplicação de multa nem instauração de processo administrativo sancionador. Desde então, a empresa alega ter promovido uma reestruturação profunda, incluindo renovação de políticas de PLD, nomeação de diretora aprovada pelo Banco Central, criação de área dedicada de prevenção a fraudes com operação 24 horas e contratação de assessorias externas especializadas.

A instituição conclui que “não há fatos novos” e que as fragilidades investigadas dizem respeito a um período histórico já superado, cujas falhas teriam sido reconhecidas e corrigidas antes de qualquer acionamento policial.

Confira abaixo o comunicado oficial da BMP na íntegra:


COMUNICADO OFICIAL

A BMP Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e a Empresa de Pequeno Porte LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 11.581.339/0001-45, vem por meio desta prestar os esclarecimentos solicitados acerca dos últimos acontecimentos envolvendo a empresa:

A Instituição vem colaborando proativamente, desde 2023, perante a 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo: (i) Processo nº 5005864-87.2023.4.03.6181 – IPL 2023.0015791 – DELECOR/DRPJ/SR/PF/SP (“Operação Alcaçaria”), envolvendo quebra de sigilo bancário no período de 01/01/2021 a 03/07/2023, abrangendo 84 investigados, dos quais apenas 4 foram ex-titulares de contas na BMP; e (ii) Processo nº 5008223-10.2023.4.03.6181 (“Operação TaiPan”), tendo como objeto o ex-parceiro 2GO Administração e Pagamentos Ltda. (CNPJ 23.819.290/0001-03), bem como seus respectivos clientes. O total de investigados que mantiveram alguma relação com a BMP soma até 33 clientes (CNPJs) – menos de 0,1% do total de contas.

No que se refere especificamente à BMP, as autoridades investigam se, no período analisado, teria havido falhas nos reportes regulatórios ao CCS (Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional) e ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no âmbito das duas operações. Ou seja, o que se apura da BMP é sua conduta e não seu envolvimento direto com os réus.

Igualmente relevante, faz-se necessário reforçar que a estrutura de BaaS (“Banking as a Service”) é a que está sendo questionada pelas autoridades e não há qualquer impacto na estrutura de crédito da empresa. Também não há qualquer determinação ou risco de bloqueio pelas autarquias federais, como Dataprev e Caixa Econômica Federal, sem qualquer impacto operacional nas integrações ou no funcionamento da operação de crédito.

Para que isso fique ainda mais claro, esclarecemos, de forma técnica e objetiva, quais as eventuais falhas que a BMP está respondendo:

Com relação ao Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro (“CCS”), sistema mantido pelo Banco Central do Brasil destinado exclusivamente ao registro de relacionamentos bancários (abertura, manutenção e encerramento de contas), a obrigação de reporte passou a ser aplicável à BMP com o advento da Resolução BCB nº 179/2022. Desde 2024, a Instituição tem 100% de efetividade operacional e reforça que fez questão de promover comunicação retroativa integral da base de relacionamentos em 2024, assegurando que o Banco Central estivesse plenamente ciente dos relacionamentos ativos e encerrados.

Já a comunicação ao COAF ocorre por meio de Relatórios de Operações Suspeitas (ROS), sempre que identificados indícios de lavagem de dinheiro ou financiamento ao terrorismo. Com a aquisição e implementação do sistema E-Guardian, solução robusta de monitoramento transacional, o volume de reports aumentou substancialmente. A Instituição opera em conformidade com as melhores práticas de mercado.

Informamos, ainda, que em 2024, a BMP passou por inspeção específica de PLD – Prevenção à Lavagem de Dinheiro, pelo Banco Central, no contexto de ação supervisória que também abrangeu outras instituições financeiras e grandes instituições de pagamento nas quais foram apontadas melhorias regulatórias, todas estando tratadas em plano de ação tempestivo. Não houve aplicação de multa, nem instauração de processo administrativo sancionador. Desde então, a transformação estrutural da BMP foi profunda e mensurável:

  1. Renovação integral das políticas de PLD;
  2. Nomeação de Diretora responsável por PLD aprovada pelo Banco Central;
  3. Reestruturação completa da área, hoje composta por três gerências (Compliance, PLD e Riscos);
  4. Criação de área dedicada de Prevenção a Fraudes com operação 24×7, com equipe de 12 pessoas;
  5. Contratação de assessoria de PLD externa permanente prestada por escritório de advocacia de primeira linha;
  6. Contratação de assessoria especializada em MSAC – Monitoramento de Situações Atípicas de Clientes;
  7. Treinamento especializado contínuo em PLD por empresa dedicada.

Os pontos acima foram implementados antes de qualquer acionamento por autoridades policiais e fazem parte dos planos anuais da BMP tomando como base o crescimento da base de clientes e atendimentos ao Departamento de Condutas do Bacen (“Decon”) que desde 2024 acompanha, de perto, nossa evolução.

Assim, não há fatos novos. O que existe é o curso natural de responsabilização regulatória sobre um período histórico já superado, cujas fragilidades foram reconhecidas, comunicadas e integralmente corrigidas.

A BMP permanece absolutamente comprometida com um sistema financeiro íntegro, transparente e seguro que está em plena evolução e adaptação. Nossa evolução institucional nos posiciona hoje em patamar de referência comparável às melhores práticas do mercado.

Seguimos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.

Atenciosamente, BMP

São Paulo, 26 de fevereiro de 2026.

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