O BNP Paribas decidiu ampliar sua operação em Miami após registrar crescimento de 47% na receita em 2024. O escritório, aberto no fim de 2023 com apenas três funcionários, já conta com 21 profissionais e se tornou a segunda maior base de mercados globais do banco francês nos Estados Unidos, atrás apenas de Nova York. A expansão reflete a aposta do banco em atender hedge funds e investidores institucionais localmente, estratégia que vem apresentando resultados consistentes.
Presença local como diferencial competitivo
Segundo Matt O’Connor, chefe da unidade de Miami, a proximidade física com os clientes tem sido determinante para o crescimento. “Os clientes realmente valorizam ter alguém local em Miami ao lado deles e buscam ativamente formas de recompensar essa decisão”, afirmou O’Connor em entrevista. Conforme reportou a Bloomberg Línea, o escritório mantém vínculos estreitos com clientes por meio de escolas, clubes e outras atividades sociais, gerando muito mais pontos de contato do que visitas esporádicas.
O BNP se posiciona como o único negócio de mercados globais full service em Miami, operando principalmente em duas frentes: renda fixa, moedas e commodities (FICC) e ações. A base de clientes é dominada por hedge funds, mas o banco vem ampliando negócios com bancos latino-americanos que atendem clientes offshore a partir da cidade e com gestoras de recursos que estão se estabelecendo no sul da Flórida.
Miami como polo financeiro em amadurecimento
Embora o ritmo de migração de empresas e bilionários para o sul da Flórida tenha desacelerado desde a pandemia, a região vem se consolidando como polo financeiro relevante. A combinação de gestão de patrimônio, hedge funds, gestoras de ativos, empresas de tecnologia e bancos globais tem transformado o cenário corporativo local. A recente contratação de Libby Jandl Ardeljan, vinda do Royal Bank of Canada, como diretora de vendas de derivativos de ações, reforça a estratégia de crescimento do BNP na cidade.
O’Connor projeta que Miami pode se tornar o segundo maior centro financeiro dos Estados Unidos no médio prazo, superando Chicago e se mantendo à frente de Dallas. No entanto, ele reconhece desafios importantes: a cidade, espremida entre pântanos e o Oceano Atlântico, precisa desenvolver transporte público, infraestrutura, moradia e opções de escolas para sustentar o crescimento. Diferentemente de concorrentes no Meio-Oeste e no Texas, Miami só pode crescer verticalmente, o que impõe limitações ao desenvolvimento urbano.
Entre as possibilidades de expansão do BNP nos próximos anos está o atendimento a clientes corporativos, especialmente empresas de tecnologia que estão se mudando para a região — como a Palantir, que anunciou esta semana a transferência de sua sede de Denver para Miami. O banco também tem encontrado bom pool de talentos nas universidades locais para posições juniores, segundo Annabella Espina, diretora de operações do escritório.