BofA tem 1.600 patentes de IA e gasta US$ 13,5 bi em tech
Bank of America tem 1.600 patentes voltadas para IA em portfólio de 8.400 títulos e gasta US$ 13,5 bi/ano em tech. Erica passou de 3 bi de atendimentos.
O Bank of America tem 1.600 patentes voltadas para IA num portfólio de 8.400 títulos e gasta US$ 13,5 bilhões por ano em tecnologia, escala que dimensiona o esforço de bancos brasileiros como o Itaú, que mira 50 patentes em 2026. Os números do BofA estão em entrevista ao Banking Dive sobre o motor de inovação que sustenta Erica, a IA virtual do banco.
O motor de inovação do BofA em números
Métrica
Número
Patentes totais (concedidas + pendentes)
~8.400
Patentes voltadas para IA
~1.600
Gasto anual em tecnologia
US$ 13,5 bi
Em novas iniciativas
US$ 4 bi
Funcionários elegíveis a propor ideias
212 mil
Patentes do engenheiro Cameron Wadley
mais de 40
Dados do motor de inovação do Bank of America. Fonte: Banking Dive
O motor de inovação do BofA
O Bank of America tem cerca de 8.400 patentes concedidas e pedidos pendentes no agregado. Aproximadamente 1.600 desse total são voltadas para IA, em áreas como aprendizado de máquina, segurança de informação, banco online e mobile, pagamentos, análise de dados e realidade aumentada. O banco gasta perto de US$ 13,5 bilhões por ano em tecnologia e direciona aproximadamente US$ 4 bilhões para novas iniciativas, segundo a entrevista publicada pelo Banking Dive em 12 de junho de 2026.
A política interna estimula os 212 mil funcionários a submeter ideias para um time dedicado de inovação. O banco organiza desafios formais duas vezes ao ano, em formato amplo, para gerar soluções de problemas de negócio. Erica, a assistente virtual que ultrapassou 3 bilhões de atendimentos desde 2018, nasceu em um desses desafios. O sistema vale para todas as oito linhas de negócio do banco e, em alguns casos, para ferramentas internas voltadas ao funcionário.
Cameron Wadley é supervision tech executive da divisão de wealth management do BofA. Engenheiro elétrico de formação, com diploma adicional em negócios, está no banco desde 2006, na sede em Charlotte, na Carolina do Norte. Aplicou para 70 patentes e tem mais de 40 concedidas. Várias delas estão na base de Erica. Uma das mais usadas, batizada de “system for predictive usage of resources”, aplica casamento de padrões para antecipar perguntas que clientes podem fazer no chat ou que funcionários precisariam tirar em problemas de TI.
“Innovation isn’t in its own lane. We don’t want some designated geniuses to do all the thinking and everyone else does all the labor”, afirmou Wadley em entrevista ao Banking Dive (em tradução livre: inovação não fica numa pista própria; o banco não quer alguns gênios designados pensando enquanto todos os outros fazem o trabalho braçal).
“Everything is being reevaluated”, disse Wadley sobre o impacto da IA. “Fundamentally, innovation is innovation, but the pace of it and the zeal, the level of enthusiasm, has changed remarkably.” (em tradução livre: tudo está sendo reavaliado; no fundo, inovação é inovação, mas o ritmo e o entusiasmo mudaram de patamar.)
O que observar
O modelo descrito pelo banco depende de três pernas simultâneas: tamanho do orçamento de tecnologia, base larga de funcionários incentivados a contribuir e processo formal de proteção via patentes. Bancos médios que tentam reproduzir o mesmo arranjo costumam ter capacidade orçamentária para apenas uma das pernas, em geral o budget de tecnologia, sem o lastro de processo organizacional ou o aparato jurídico para escalar IP.
Vale acompanhar como bancos grandes fora dos EUA vão calibrar a relação entre time central de inovação e time de produto, e quanto desse esforço se traduz em retorno mensurável em atendimento, custo de operação e receita. O teste prático no curto prazo é se programas internos de desafio continuam gerando ativos com vida útil longa, como assistentes virtuais com bilhões de interações, ou se a maioria das ideias geradas em hackathons internos morre na pilha de provas de conceito.