O Bradesco já migrou quase 29 milhões de clientes para o modelo digital e pretende chegar a aproximadamente 50 milhões até o fim do ano, afirmou o vice-presidente financeiro Cassiano Scarpelli. A meta abre espaço para novos cortes na rede física, que em março contava com 4.367 pontos, queda de 1.414 em relação a março de 2025.
Rede física do Bradesco: março de 2026
| Tipo de ponto |
Unidades |
| Agências |
1.938 |
| Postos de atendimento |
1.723 |
| Unidades de negócios |
706 |
| Total |
4.367 |
Queda de 1.414 pontos em relação a março de 2025. Fonte: Valor Econômico
A meta que redefine o footprint
Scarpelli declarou que o grosso da revisão da rede física ocorreu nos dois primeiros anos do plano quinquenal do CEO Marcelo Noronha. A partir de agora, os fechamentos de pontos devem ocorrer com menor intensidade. O ponto de virada é a migração digital: com 29 milhões de clientes já no modelo digital, o banco tem fundamento para continuar enxugando a estrutura sem perder capilaridade de atendimento.
O contexto é de recuperação financeira. No primeiro trimestre de 2026, o Bradesco registrou lucro de R$ 6,8 bilhões, alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025, com ROAE de 15,8%. A eficiência operacional viabilizada pelos cortes de rede está entre os fatores dessa recuperação.
Re-skilling e contratações em tecnologia
Os executivos do banco sinalizaram que a folha de pagamento não acompanhou a velocidade do corte na rede física. O modelo adotado combina grande rotatividade com requalificação interna: contratações em tecnologia convivem com programas de re-skilling para funcionários de outras áreas. Em fevereiro, o banco acelerou a transformação digital com IA priorizando automação de processos. Em março, abriu 359 vagas em tecnologia e negócios, evidenciando a recomposição do quadro em andamento.
O que observar
A transição digital dos grandes bancos tem dois termômetros que vale acompanhar: a taxa de uso efetivo dos canais digitais pelos clientes migrados e o comportamento da inadimplência em produtos contratados sem interação presencial. Migrar clientes para o digital não reduz custos imediatamente, pois a rede física segue operando para a parcela que resiste à mudança, mantendo um custo dual durante o período de transição.
O teste concreto chegará no segundo semestre, quando a meta de 50 milhões precisará estar próxima. Se os grandes bancos conseguirem equilibrar satisfação no atendimento digital com redução da estrutura física, a tese de digitalização consolida um argumento de eficiência estrutural. A velocidade com que a folha de pagamento vai convergir para o novo perfil operacional, puxado por tecnologia e re-skilling, é o próximo indicador a monitorar.
Fontes: Valor Econômico • Times Brasil • Let’s Money • Let’s Money