Ir para o conteúdo
Let's Money

Gestão de RecursosInternacional · Bradesco

Bradesco Asset transforma Miami em principal hub offshore

Bradesco Asset transfere chefe de portfólio para Miami no 2S26 e amplia operação offshore, em resposta a maior demanda por ativos brasileiros em 15 anos.

por

· 3 min

Atualizado em

casa.da.photo / Shutterstock.com

A Bradesco Asset Management, gestora com mais de R$ 1 trilhão sob gestão, vai transferir o atual chefe de soluções de índices para Miami no segundo semestre e amplia a oferta na cidade. O movimento responde à demanda estrangeira por ativos brasileiros, que segundo executivos da gestora está no maior nível em 15 anos.

Frentes da estratégia offshore

Geografia Movimento Foco
Miami Clayton Rodrigues chega no 2S26; Roger Freitas entrou em fevereiro Fundos de pensão e seguradoras
China Parceria com China Asset Mgmt e China Universal: ETFs TECX11 e PKIN11 ChiNext e CSI 300
América Latina Distribuição offshore liderada por Roger Freitas Investidores institucionais
México e Canadá Estudo de oportunidades Em avaliação

Estratégia internacional da Bradesco Asset anunciada em 2 de junho de 2026. Fonte: Bloomberg Línea.

Miami como vitrine para o investidor estrangeiro

Clayton Rodrigues, atualmente responsável por soluções de índices e investimentos internacionais, assumirá no segundo semestre o cargo de chefe de gestão de portfólios na unidade de Miami. Ele se junta a Roger Freitas, contratado em fevereiro para liderar a distribuição offshore nos Estados Unidos, e ao gestor Eiji Aono. “Miami está se tornando nosso principal ‘hub’ offshore”, disse Ricardo Eleutério, diretor da gestora, à Bloomberg Línea.

O foco inicial é institucional. “De início, o nosso foco está muito voltado para institucionais, como grandes fundos de pensão e seguradoras, mas também temos conversas com outros alocadores de Brasil”, afirmou Eleutério. Priscila Ramirez, executiva de desenvolvimento de negócios na unidade, afirmou que o interesse externo pelo Brasil está no nível mais alto em 15 anos, em meio à busca por diversificação fora dos mercados desenvolvidos. Investidores estrangeiros, segundo a Bradesco Asset, já colocaram mais de R$ 40 bilhões na B3 neste ano, com o real entre as moedas mais valorizadas do mundo.

A leitura otimista convive com sinais de volatilidade. Em maio, estrangeiros retiraram R$ 14,9 bilhões da bolsa brasileira, maior saída em quatro anos. O movimento ainda preserva saldo positivo no ano, mas reforça o peso do fluxo passivo no humor da B3 e ajuda a explicar o esforço das gestoras locais para se instalarem onde estão os alocadores que decidem essa rotação.

Além de Miami: China, México e Canadá

Há pouco mais de um ano, a Bradesco Asset firmou parceria com a China Asset Management e a China Universal para lançar ETFs que acompanham ações chinesas listadas em Xangai e Shenzhen. Os fundos são negociados na B3 sob os códigos TECX11 e PKIN11 e replicam os índices ChiNext e CSI 300. “Temos diversas iniciativas em andamento como parte da estratégia offshore, e a China é extremamente importante”, afirmou Eleutério.

Na América do Norte, a gestora estuda oportunidades em México e Canadá, com Roger Freitas à frente. O movimento se soma a outras apostas internacionais do grupo, como o crédito em dólar para compra de jatos executivos, lançado em maio. A leitura do mercado é de que o ambiente é favorável: o BofA projeta ao menos 10 IPOs e R$ 50 bilhões em ofertas no Brasil em 2027, leitura que reforça a tese de retomada da bolsa brasileira.

O que observar

Gestoras brasileiras que apostam na onda de interesse externo enfrentam um teste de tese. O pico de demanda coincide com janelas relevantes de saída, e a captação líquida de fundos de pensão e seguradoras estrangeiras é tipicamente mais lenta do que o ciclo do fluxo passivo. Vale acompanhar nos próximos trimestres se as estruturas locais em hubs offshore conseguem converter o interesse em mandatos recorrentes, e se a oferta de ETFs com mercados emergentes mantém tração mesmo quando o fluxo entra em compasso de espera, como no mês passado. A pergunta operacional é se o modelo de exportar expertise gera receita estável ou apenas captura dinheiro tático.

Fontes: Bloomberg LíneaB3ExameLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.