A PF concluiu, em operação deflagrada na quinta-feira (7), que assessores do Banco Master redigiram a PEC que ampliaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Questionado durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre do Bradesco, o CEO Marcelo Noronha defendeu que o fundo tem “gestão independente e dever fiduciário”.
Cobertura do FGC: atual vs. PEC de 2024
| Situação | Cobertura por CPF |
|---|---|
| Regra atual | R$ 250 mil |
| PEC apresentada em 2024 | R$ 1 milhão |
Cobertura do FGC por CPF. Fonte: Valor Econômico
A PEC e a operação da PF
A emenda foi apresentada em agosto de 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) dentro da PEC 65/2023, que trata da autonomia do Banco Central. A Polícia Federal apontou que o texto reproduziu integralmente a versão elaborada pelo banco, que se beneficiaria diretamente da ampliação da cobertura. O impacto da intervenção no FGC é estimado em R$ 52 bilhões.
Noronha evitou comentar as acusações contra o senador, mas foi direto sobre a conduta da entidade: “Eu não vejo o pessoal ali saindo da regra de forma alguma. Trabalhar dentro da regra, respeitando a legislação, é natural”, disse o CEO do Bradesco. O caso Master prejudicou a reputação do setor financeiro como um todo, expondo fragilidades na regulação de bancos que captavam com CDB de alto rendimento. O FGC já honrou boa parte dos depósitos cobertos e os associados, incluindo o Bradesco, anteciparam contribuições para recompor o caixa da entidade, conforme o estatuto.
Na mesma teleconferência, Noronha destacou eficiência operacional: as despesas operacionais somaram R$ 16,178 bilhões no 1T26, queda de 4,6% no trimestre, mesmo com crescimento nos investimentos em tecnologia.








