O Inovabra, hub de inovação do Bradesco, prepara a maior virada no seu modelo comercial desde 2018: em vez de alugar cadeira ou sala fixa, quem quiser entrar vai passar a contratar um pacote flexível de créditos que dão acesso a programas, eventos e conexões. A virada começa a valer em 2027, logo no primeiro trimestre, e a equipe deixa o endereço atual já em dezembro de 2026, segundo a Bloomberg Línea.
Vale uma ressalva sobre o termo: o crédito aqui funciona como uma cota de acesso a serviços, não como uma linha de empréstimo. Conforme a categoria contratada, cada pacote libera combinações distintas de eventos, programas de aceleração, trilhas temáticas e conexões, sem obrigar ninguém a manter uma posição fixa no escritório. O movimento acompanha a chegada da inteligência artificial às rotinas dos bancos, num momento em que hubs corporativos revisam o próprio papel.
O modelo do Inovabra, atual e planejado
| Item | Como funciona |
|---|---|
| Modelo atual (desde 2018) | paga por posição fixa (cadeira ou sala) para acessar eventos, mentorias e conexões |
| Novo modelo (a partir do 1º tri de 2027) | pacote de créditos flexíveis, sem cadeira fixa no prédio |
| O que o crédito dá acesso | trilhas temáticas, eventos, programas de aceleração e conexões |
| Mudança de sede | equipe deixa o prédio atual em dezembro de 2026; nova sede próxima, endereço não revelado |
| Comunidade hoje | 270 startups residentes ativas e cerca de 40 corporações |
Modelo comercial do Inovabra, atual e planejado. Fonte: Bloomberg Línea
Do aluguel de cadeira ao crédito de acesso
No prédio paulistano que abriga o hub, o vínculo sempre girou em torno de ocupar um espaço: a startup pagava por uma posição e, a partir dela, destravava eventos, mentorias e o contato com potenciais clientes, incluindo áreas de negócio do próprio Bradesco. Esse desenho, que nunca mudou desde a fundação, é justamente o que o hub agora quer deixar para trás.
A tese por trás da reformulação é direta: o metro quadrado alugado perdeu o posto de ativo mais valioso do hub e virou, para muitas parceiras, uma dor de cabeça interna. “Quando eles vão defender o orçamento, o espaço é mais tangível do que os outros serviços. Aí, quando ele vai defender, começa a perder a discussão: por que você está alugando um espaço que não usa?”, disse Chen Wei Chi, líder da divisão de negócios e soluções do Inovabra. Hoje, cerca de 70% das residentes já trabalham de forma integral ou predominantemente à distância, de acordo com o próprio hub.








