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Inovabra, do Bradesco, vai trocar sala por créditos

O Inovabra vai trocar o aluguel de sala fixa por pacotes de créditos flexíveis a partir do 1º trimestre de 2027 e deixa o prédio atual em dezembro.

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· 4 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O Inovabra, hub de inovação do Bradesco, prepara a maior virada no seu modelo comercial desde 2018: em vez de alugar cadeira ou sala fixa, quem quiser entrar vai passar a contratar um pacote flexível de créditos que dão acesso a programas, eventos e conexões. A virada começa a valer em 2027, logo no primeiro trimestre, e a equipe deixa o endereço atual já em dezembro de 2026, segundo a Bloomberg Línea.

Vale uma ressalva sobre o termo: o crédito aqui funciona como uma cota de acesso a serviços, não como uma linha de empréstimo. Conforme a categoria contratada, cada pacote libera combinações distintas de eventos, programas de aceleração, trilhas temáticas e conexões, sem obrigar ninguém a manter uma posição fixa no escritório. O movimento acompanha a chegada da inteligência artificial às rotinas dos bancos, num momento em que hubs corporativos revisam o próprio papel.

O modelo do Inovabra, atual e planejado

Item Como funciona
Modelo atual (desde 2018) paga por posição fixa (cadeira ou sala) para acessar eventos, mentorias e conexões
Novo modelo (a partir do 1º tri de 2027) pacote de créditos flexíveis, sem cadeira fixa no prédio
O que o crédito dá acesso trilhas temáticas, eventos, programas de aceleração e conexões
Mudança de sede equipe deixa o prédio atual em dezembro de 2026; nova sede próxima, endereço não revelado
Comunidade hoje 270 startups residentes ativas e cerca de 40 corporações

Modelo comercial do Inovabra, atual e planejado. Fonte: Bloomberg Línea

Do aluguel de cadeira ao crédito de acesso

No prédio paulistano que abriga o hub, o vínculo sempre girou em torno de ocupar um espaço: a startup pagava por uma posição e, a partir dela, destravava eventos, mentorias e o contato com potenciais clientes, incluindo áreas de negócio do próprio Bradesco. Esse desenho, que nunca mudou desde a fundação, é justamente o que o hub agora quer deixar para trás.

A tese por trás da reformulação é direta: o metro quadrado alugado perdeu o posto de ativo mais valioso do hub e virou, para muitas parceiras, uma dor de cabeça interna. “Quando eles vão defender o orçamento, o espaço é mais tangível do que os outros serviços. Aí, quando ele vai defender, começa a perder a discussão: por que você está alugando um espaço que não usa?”, disse Chen Wei Chi, líder da divisão de negócios e soluções do Inovabra. Hoje, cerca de 70% das residentes já trabalham de forma integral ou predominantemente à distância, de acordo com o próprio hub.

Uma comunidade de 270 startups

Em números, a comunidade reúne hoje 270 startups residentes em operação e aproximadamente 40 corporações. O espaço físico já recebeu mais de 600 startups desde 2018, num imóvel tocado pelo WeWork, enquanto outras 3.100 chegaram por parceiros e mais de mil negócios nasceram entre os integrantes, conforme dados do hub. Só em 2025, a agenda de eventos juntou cerca de 20 mil pessoas, e o banco rodou mais de 70 provas de conceito ao lado das startups, em frentes como cibersegurança e uso de stablecoins.

A meta é fazer o hub passar a orquestrar soluções com retorno mensurável, em vez de apenas aproximar startups e grandes corporações. “Se eu tiro do jogo a sala e as posições e apresento uma carteira de crédito para você ter acesso a uma série de funcionalidades, nosso vínculo fica muito mais leve”, afirmou Paulo Emediato, head de growth e comunicação do Inovabra, que chegou junto com Chen Wei Chi. Ambos se reportam a Renata Petrovic, head do Inovabra, que permanece no comando da operação. O “soft opening” está previsto para 2027, logo no primeiro trimestre, quando a plataforma digital renovada e as primeiras cotas de crédito começam a rodar.

O que observar

A reformulação testa uma tese que ronda os hubs de inovação corporativos montados na década passada: se o valor está nos programas e nas conexões, o metro quadrado alugado vira o primeiro item que o gestor sacrifica quando precisa defender orçamento. A pergunta é se um modelo de créditos de acesso sustenta a mesma densidade de comunidade que a convivência física garantia, agora que boa parte das startups já trabalha de forma remota.

Vale acompanhar dois pontos ao longo de 2027. Primeiro, se a troca do assento fixo por pacotes de serviço amplia a base de corporações pagantes ou apenas redistribui a receita atual. Segundo, como fica a precificação quando o produto deixa de ser um lugar e vira uma cota de acesso, formato ainda pouco testado entre os hubs do país.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s Money: Escalar IA nos bancos exige governança e revisão de processo

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