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IA em BancosIA · Bradesco

Bradesco mantém mainframe no core bancário com IA

Bergamini, superintendente sênior do Bradesco, defende arquitetura híbrida: core no mainframe, logs na nuvem e IA integrada aos dois ambientes.

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· 3 min

Atualizado em

O Bradesco não vai desligar o mainframe para modernizar com inteligência artificial. Marcelo Bergamini, superintendente sênior de tecnologia do banco, defendeu ontem arquitetura híbrida: core bancário no mainframe, jornadas periféricas na nuvem.

Como o Bradesco divide as jornadas

Tipo de jornada Ambiente Critério
Core bancário (débito/crédito) Mainframe Estabilidade, robustez e performance
Logs pós-transação Nuvem Menor custo e especialização
Integração de IA Mainframe + nuvem Ecossistema híbrido

Segregação de workloads descrita por Bergamini. Fonte: Times Brasil

Avaliação por jornada, não substituição em bloco

Bergamini contesta a percepção dominante sobre modernização tecnológica. “Quando a gente fala em modernização, a primeira coisa que vem à mente é que a gente precisa desativar uma tecnologia. E não é esse o contexto”, disse o executivo. Para ele, o ponto central é modernizar a arquitetura, avaliando o potencial de cada tecnologia antes de qualquer decisão de migração.

A lógica parte da criticidade de cada sistema. O core bancário, como operações de débito e crédito, permanece no mainframe quando essa for a melhor alternativa em estabilidade, robustez e performance. Para processos periféricos, a equação muda. Bergamini usou como exemplo a geração de logs após a confirmação de um empréstimo: “Eu não preciso usar o mainframe para isso. Eu tenho alternativas mais especialistas nesse tipo de operação e que gastam menos”, afirmou. O raciocínio se alinha à pressão sobre a infraestrutura bancária para suportar IA generativa, que exige ambientes mais flexíveis sem comprometer as operações centrais.

Transição começa pelas jornadas menos críticas

A estratégia declarada é deliberadamente gradual. O ponto de partida são as jornadas de menor criticidade para o negócio, sempre com governança, segurança e alinhamento ao uso de IA e a métodos modernos de desenvolvimento. Mudanças bruscas no core não fazem parte do plano. “Eu não preciso dar um cavalo de pau no transatlântico”, afirmou o executivo.

A abordagem tem implicação direta para a arquitetura de dados. O objetivo é separar jornadas que podem ser tratadas com tecnologias orientadas a eventos, onde a nuvem performa bem, daquelas que dependem do mainframe. “É exatamente isso: separar jornadas que eu posso tratar com tecnologias de eventos, em que a cloud funciona bem, e aquilo que envolve o meu core, manter no mainframe”, disse Bergamini. Esse tipo de redesenho arquitetural é condição para que agentes de IA autônomos em operações bancárias operem com a confiabilidade exigida do core.

O que observar

A tese da coexistência entre mainframe e nuvem é tecnicamente defensável, mas o ponto que vale acompanhar é a camada de integração. À medida que modelos de IA precisam acessar dados em tempo real do core bancário, a latência entre mainframe e serviços em nuvem pode criar fricção onde hoje não há. Plataformas de orquestração, middleware e soluções de event streaming são os atores mais diretamente impactados por esse redesenho arquitetural.

Vale considerar o contexto do evento: a declaração foi feita em encontro co-promovido por fornecedor de tecnologia com portfólio em soluções de mainframe, o que não invalida a tese, mas situa o ambiente em que foi apresentada.

Fontes: Times BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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