O CFO do Bradesco, Cassiano Scarpelli, sinalizou que o banco vai crescer crédito com cautela para não comprometer a qualidade da carteira, mantendo a meta de margem líquida de juros em torno de 9%. A declaração foi feita em entrevista ao programa Números Falam, após o banco registrar lucro de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16% na base anual.
Bradesco: Indicadores do 1T26
| Indicador |
Valor (1T26) |
| Lucro recorrente |
R$ 6,8 bi (+16,1% aa) |
| Carteira de crédito |
R$ 1,09 tri (+8,4% aa) |
| Margem financeira líquida |
R$ 10,3 bi (+8,3% aa) |
| Inadimplência acima de 90 dias |
4,2% |
| ROE (ROAE) |
15,8% |
Resultado do 1º trimestre de 2026. Fonte: InfoMoney
A disciplina como diferencial
Scarpelli descreveu a abordagem do banco como uma evolução progressiva, chamada internamente de step by step. “A gente não quer fazer nada que nos cobre futuramente”, afirmou o CFO, ao explicar que o risco de crédito funciona como uma linha que o banco não está disposto a cruzar para crescer mais depressa. A estratégia orienta as decisões de concessão desde 2024.
O banco identificou oportunidades de expansão dentro do próprio ecossistema de clientes já existente. “Temos condição de crescer crédito, sim, com coerência e com baixo risco de crédito”, disse Scarpelli. A carteira expandida já havia superado projeções no resultado anterior e fechou março de 2026 em R$ 1,09 trilhão, alta de 8,4% em doze meses.
Captação como pilar da margem
O CFO destacou que a captação desempenha papel central no equilíbrio da margem líquida de juros. O banco reconhece que o indicador pode oscilar pontualmente, mas avalia que o ritmo atual tem permitido uma trajetória mais estável. Scarpelli resumiu o diferencial competitivo na antecipação de movimentos: “O quanto eu enxergo antes, o quanto eu me preparo e como que eu entrego.”
O contexto macroeconômico desafiador, com juros elevados, pressiona simultaneamente o custo de captação e o apetite por crédito. No encerramento de 2025, os grandes bancos brasileiros apresentaram cenários distintos exatamente nesse equilíbrio entre crescimento e qualidade de carteira.
O que observar
Bancos de grande porte em fase de recuperação enfrentam a tensão entre crescer rápido e crescer bem. Com inadimplência acima de 90 dias em 4,2% e NIM em alta, a abordagem gradual tem entregado resultados sem pressão adicional de provisões. O teste será se esse equilíbrio se mantém quando o ciclo de crédito acelerar com eventual afrouxamento monetário.
Vale acompanhar como instituições de varejo de grande porte respondem à mesma pressão: crescer mais depressa arriscando margem futura, ou preservar qualidade aceitando ritmo menor de expansão. O posicionamento que se consolida agora define a capacidade de escalar quando o cenário macroeconômico abrir espaço.
Fontes: CNN Brasil • InfoMoney • Let’s Money • Let’s Money