O Bradesco criou a Superintendência de Talkability e Reputação, nova área que centraliza redes sociais, relações públicas, creator economy, marketing de influência e posicionamento de executivos sob uma única estratégia de marca.
O que entra na nova superintendência do Bradesco
| Frente |
Foco |
| Redes sociais |
Estratégia de presença e conteúdo em plataformas digitais |
| Creator economy e influência |
Parcerias com criadores de conteúdo para distribuição de mensagens de marca |
| Relações públicas |
Comunicação institucional e gestão de narrativas |
| Posicionamento executivo |
Presença de líderes da marca em plataformas profissionais |
Estrutura da nova área anunciada pelo Bradesco em maio de 2026. Fonte: Seu Crédito Digital
O que muda na estrutura de comunicação
A mudança principal é a centralização de frentes que antes operavam de forma mais segmentada. Com a nova área, o banco pretende alinhar canais e vozes da marca em torno de uma única estratégia de reputação, garantindo coerência entre o que é dito nas redes sociais, nas relações institucionais e nos perfis de executivos.
O conceito de “talkability”, emprestado do jargão de marketing anglófono, define a capacidade de uma marca gerar conversas relevantes e espontâneas entre consumidores, influenciadores e mídia. Para Henrique Mendonça, responsável pela nova área, o objetivo é a integração entre diversas disciplinas da comunicação para tornar as narrativas da marca mais consistentes. Segundo Renato Camargo, responsável pela iniciativa no banco, o objetivo é a “orquestração das vozes que ajudam a gerar identificação com diferentes públicos”.
Quem vai liderar
Mendonça chega ao cargo com trajetória em setores distintos: Flutter, Cimed, Accor, Citroën e Nextel. O perfil multidisciplinar indica que o banco busca uma visão de comportamento de marca que atravesse segmentos, não apenas experiência no setor financeiro.
O banco já vinha construindo presença digital com colaboradores como protagonistas. No aniversário de 83 anos, o Bradesco lançou campanha nas redes sociais com histórias de funcionários como eixo central da comunicação de marca. A nova estrutura formaliza essa direção como política permanente.
O movimento dos bancos pelo creator economy
A criação da área não é um movimento isolado. No mercado financeiro, a disputa pela atenção em plataformas digitais intensificou-se à medida que fintechs e bancos digitais conquistaram público justamente por adotar linguagens próximas do consumidor nas redes. A resposta dos bancos tradicionais passou a incluir creator economy como pilar estratégico, não apenas verba de mídia paga.
O Nubank se antecipou nessa direção ao contratar Kim Farrell, ex-TikTok responsável globalmente por creators, para cargo recém-criado de marketing global. A movimentação ressalta que a creator economy virou prioridade de recrutamento sênior no setor financeiro.
O peso estratégico da reputação no setor ficou evidente no início do ano, quando o caso Master impactou a imagem do setor financeiro: o CEO do Nubank alertou publicamente sobre o efeito colateral do escândalo na confiança do mercado, mesmo para instituições não envolvidas. Reputação, no setor financeiro, é sistêmica.
O que observar
A criação de estruturas específicas para reputação e creator economy em instituições tradicionais sinaliza uma competição que vai além de produtos e taxas: a disputa pela atenção e pela confiança em ambientes digitais. O teste para modelos assim é medir se a centralização produz coerência de narrativa ou burocratiza decisões que precisam ser rápidas em redes sociais.
Vale acompanhar se outros grandes bancos replicarão o mesmo modelo organizacional e em quanto tempo investimentos em creator economy se traduzirão em métricas de confiança e preferência de marca, que afetam diretamente captação de produtos e fidelização de clientes.
Fontes: Seu Crédito Digital • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money