O Brasil registrou mais de 470 mil ataques DDoS no segundo semestre de 2025, segundo relatório divulgado pela Netscout nesta quarta-feira (4). O volume representa quase 50% dos 1,01 milhão de incidentes mapeados em toda a América Latina, consolidando o país como epicentro de ameaças digitais na região.
A sofisticação dos ataques atingiu níveis sem precedentes. Globalmente, algumas ofensivas chegaram à escala de 30 terabits por segundo (Tbps). No Brasil, setores como telecomunicações e infraestrutura digital lideram o ranking de alvos, mas organizações religiosas e empresas de transporte rodoviário também entraram na mira dos criminosos.
Guerra digital sem fronteiras
Geraldo Guazzelli, diretor-geral da Netscout Brasil, alerta que o espaço digital não possui limites físicos. “Ninguém vai atacar o Brasil com um míssil, mas em uma guerra digital não existem fronteiras. Se bancos internacionais são atacados, as instituições brasileiras sofrem as consequências imediatas”, explicou durante apresentação à imprensa na terça-feira (3).
Segundo o IT Forum, o ativismo político e social também impulsiona as ofensivas. Empresas que se posicionam em questões sociopolíticas tornam-se alvos de hacktivistas. Para Guazzelli, a questão essencial não é “se” uma empresa será atacada, mas “quando”.
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IA maliciosa e vetores de ataque
A inteligência artificial tornou-se realidade operacional no cibercrime. Fóruns na dark web registraram aumento de 219% nas menções a ferramentas de IA maliciosas, usadas para acelerar a exploração de vulnerabilidades. Essa automação permitiu o surgimento de ataques multivetoriais complexos.
No Brasil, os vetores mais utilizados foram o TCP, com 134.320 ataques, o DNS Amplification, com 98.558 ataques, e o TCP RST, com 76.980 ataques. A colaboração entre grupos criminosos, como o Keymous+, amplificou o poder de fogo dos adversários, aumentando a largura de banda em quase quatro vezes.
Setores mais visados
As telecomunicações sem fio lideraram com 114.797 ataques, seguidas por hospedagem e computação em nuvem com 47.897 incidentes. As operadoras de rede fixa registraram 34.051 ataques, enquanto bancos contabilizaram 5.583 ofensivas. Até organizações religiosas sofreram 1.210 ataques no período.
Um dos principais desafios para a defesa cibernética é a formação de talentos. Guazzelli destaca que o país não forma profissionais suficientes para lidar com a demanda crescente. A Netscout recomenda que organizações migrem para sistemas inteligentes e autônomos em 2026, diante da facilidade de contratação de serviços de DDoS sob demanda.