A maioria dos brasileiros aceita receber recomendações financeiras por inteligência artificial, desde que mantenha o controle sobre os próprios dados. Pesquisa do Mercado Pago com 2,3 mil pessoas mostra que 73% se sentiriam mais confortáveis usando IA nas finanças se as sugestões partissem do histórico real de gastos.
O que os brasileiros pensam sobre IA nas finanças
| Resposta |
% |
| Mais confortáveis com IA baseada no histórico real de gastos |
73% |
| Só aceitam se puderem escolher quais dados compartilhar |
33% |
| Já usam assistentes de IA no dia a dia |
66% |
| Usam IA para organizar as finanças |
17% |
Pesquisa Mercado Pago com 2,3 mil brasileiros, junho de 2026. Fonte: Valor Econômico
O que a pesquisa revelou
Entre os que aceitam a IA, 40% acham que a ferramenta seria muito mais útil com base no histórico real, enquanto 33% topam o uso dos dados desde que possam escolher quais informações compartilhar. Apenas 17% dizem que não se sentiriam confortáveis e 10% preferem recomendações genéricas. “As pessoas querem experiências cada vez mais personalizadas, mas essa personalização precisa vir acompanhada de transparência, segurança e autonomia”, disse Ignacio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago.
Sobre o formato do assistente, 28% dizem que tanto faz, desde que funcione bem, 26% prefeririam um aplicativo independente do banco e 24% escolheriam um assistente integrado à instituição financeira. A adoção ainda é incipiente: embora 66% já usem assistentes de IA no geral, só 17% recorrem a eles para organizar as finanças. Entre os usos mais desejados aparecem controlar os gastos do mês (16%), descobrir formas de economizar (14%) e receber sugestões de investimentos (12%).
Open Finance como acelerador
Para o Mercado Pago, o compartilhamento de dados é a ponte entre interesse e uso efetivo. “O Open Finance tem um papel estratégico ao permitir uma visão mais completa da vida financeira do cliente”, afirmou Estivariz. O ecossistema já mostra tração: 60% dos consumidores apontam economia de tempo como principal benefício ao conectar contas. O tema do consentimento, porém, segue em disputa, com o Banco Central definindo regras sobre a venda de dados no ambiente compartilhado.
A leitura conversa com o movimento das próprias instituições. O Mercado Pago já aposta em IA para escalar crédito no Brasil, e a pesquisa sugere que a experiência dos assistentes pode influenciar a escolha de bancos e fintechs. Ainda assim, 48% dos entrevistados afirmam tomar decisões financeiras importantes por conta própria, sem apoio externo, o espaço que a tecnologia mira ocupar.
O que observar
O dado que mais importa aqui não é o entusiasmo, e sim a condição: a maioria só topa a IA se puder decidir quais dados entrega. Isso desloca o eixo da disputa da tecnologia para a governança de consentimento. Vale acompanhar se instituições financeiras e fintechs conseguem transformar histórico de gastos em recomendação útil sem esbarrar na percepção de vigilância, um limite que a própria pesquisa expõe ao mostrar que parte relevante recusa o compartilhamento amplo.
A distância entre 66% que já usam IA e 17% que a aplicam às finanças é o verdadeiro mercado em aberto. Fechar esse vão depende menos de modelo e mais de contexto: integração ao Open Finance, clareza sobre quais dados são usados e benefício concreto e imediato. Se a personalização virar exigência, e não diferencial, a régua competitiva passa a ser a qualidade da leitura de contexto de cada cliente, não a mera oferta de um assistente.
Fontes: Valor Econômico • TI Inside • Exame