O Banco de Brasília propôs aumentar de 8% para 9% o limite de operações bancárias que altos executivos e conselheiros podem realizar com a instituição, justamente no momento em que o banco público é investigado por seu envolvimento no caso Master. A decisão foi tomada em reunião do conselho de administração em 28 de novembro de 2025, um dia após a posse do novo presidente Nelson de Souza, segundo apuração do NeoFeed.
Esse limite se refere ao percentual do patrimônio líquido do banco que pode ser destinado a operações de crédito com as chamadas partes relacionadas — diretores, conselheiros e executivos que têm acesso privilegiado a informações sensíveis da instituição. Com o patrimônio líquido do BRB em R$ 4 bilhões no primeiro semestre de 2025, o novo teto permitiria exposição máxima de R$ 360 milhões. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional estabelece que o limite máximo para essas operações é de 10% do patrimônio líquido ajustado.
Sigilo levanta questionamentos sobre governança
A ata da reunião que discutiu a mudança foi mantida em sigilo, ao contrário da prática habitual do BRB de publicar suas atas. O banco alegou seguir a Lei das Estatais em casos de segredo comercial e dados confidenciais, mas não explicou os motivos específicos para o sigilo. A proposta surge em meio ao escândalo do Banco Master, onde o BRB injetou R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025 e chegou a tentar comprar 49% das ações ordinárias da instituição privada — operação vetada pelo Banco Central em setembro de 2025 após identificar irregularidades.
O caso Master envolve suspeitas de fraudes entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões, com esquemas que incluíam a venda de créditos duvidosos ao BRB. A Operação Compliance Zero da Polícia Federal resultou na prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, e no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior.








