A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quinta-feira (9) que o plano definitivo para resolver a crise de liquidez do BRB sairá em menos de 30 dias e garantiu que o banco público “não vai quebrar”. A declaração foi dada após reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em São Paulo, acompanhada do presidente do BRB, Nelson de Souza.
As três frentes de captação do BRB
| Frente |
Valor estimado |
Status |
| Empréstimo FGC |
R$ 4 bilhões |
Exige pool de bancos |
| Fundo imobiliário com imóveis do GDF |
9 imóveis públicos |
1 terreno de R$ 2,3 bi liberado pela Justiça |
| Compra de carteiras por estatais |
não divulgado |
Em avaliação |
Rombo total estimado em R$ 8,8 bilhões após compra de carteiras do Banco Master. Fonte: Valor Econômico
O que está em cima da mesa
Celina afirmou que o objetivo da reunião foi demonstrar que a nova gestão está cumprindo “fielmente” o que foi acordado com a autoridade monetária. “Acho que no prazo de menos de 30 dias teremos uma situação totalmente diferente da que nós estamos vivendo hoje”, disse a governadora, segundo o Valor.
O banco precisa de uma injeção estimada em R$ 8,8 bilhões depois de comprar R$ 12 bilhões em carteiras fraudadas do Banco Master. A assembleia de acionistas marcada para 22 de abril vai votar a ampliação do capital social e é a próxima peça concreta do plano.
Três frentes paralelas de captação
A negociação central segue sendo com o Fundo Garantidor de Créditos. A resposta oficial do fundo, segundo o Correio Braziliense, condicionou a análise ao interesse do próprio BRB em prosseguir com a etapa prévia — e, segundo apuração anterior, o desembolso de R$ 4 bilhões exigirá a formação de um pool de bancos. Em paralelo, o governo do DF destinará nove imóveis públicos a um fundo imobiliário, estratégia aprovada pela Câmara Legislativa e destravada pela Justiça, que liberou uma gleba de 716 hectares avaliada em R$ 2,3 bilhões como garantia. Há ainda a hipótese de bancos estatais comprarem carteiras do BRB.
A dificuldade em destravar o empréstimo do FGC já havia sido antecipada pelo próprio funcionamento do fundo. Em entrevista ao podcast Let’s Money, gravada no dia da ação da Polícia Federal no Master em 2025, um analista de mercado financeiro lembrava que “o FGC não é instituição pública. É uma seguradora, como se fosse a Porto Seguro. Tem taxa de sinistralidade que aguenta — se dobrar, quebra”. Na época, o episódio antecipava justamente que qualquer socorro sairia com freios e contrapesos, o que agora se confirma na exigência de pool.
O que observar
O prazo de 30 dias coloca o plano numa janela em que cada frente precisa entregar. A assembleia do fim do mês é a peça mais controlável: dependendo do desenho de aumento de capital aprovado, define se um banco estadual nessa situação terá folga para negociar pool e fundo imobiliário em paralelo ou se vira refém de uma única fonte. A pergunta que fica é qual o custo efetivo dessa combinação para o balanço e para o risco regulatório no segundo semestre.
Vale acompanhar como reguladores e instituições garantidoras vão calibrar o risco moral: se um banco estadual consegue ser socorrido via fundo privado de garantia após adquirir carteiras já contaminadas, a régua para casos futuros muda. O desenho do pool de bancos e a governança do fundo imobiliário darão a medida real de até onde o sistema aceita ir para resolver esse tipo de crise sem expor o contribuinte.
Fontes: Valor Econômico • Correio Braziliense • Let’s Money Podcast — The Banco Master Case and its Impact on the FGC