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Ex-presidente do BRB pede ao STF transferência para delatar

Paulo Henrique Costa pedirá ao STF saída da Papuda para negociar delação, seguindo o roteiro do ex-CEO Daniel Vorcaro no caso Master.

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· 3 min

Atualizado em

Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, pedirá ao STF transferência da Papuda para a sede da Polícia Federal em Brasília com o argumento de que pretende negociar colaboração premiada.

Caso Master: os números da acusação contra o ex-presidente do BRB

Indicador Dado
Carteiras fraudulentas adquiridas pelo BRB R$ 12,2 bilhões
Imóveis de propina (valor total) R$ 146 milhões
Valor efetivamente pago em imóveis R$ 74,6 milhões
Imóveis identificados pela PF 6 (4 em SP, 2 em Brasília)
Fase da prisão de Costa 4ª fase, 16/04/2026

Dados da acusação contra o ex-presidente do BRB. Fonte: O Globo

A corrida para delatar primeiro

A estratégia de Costa replica o roteiro de Daniel Vorcaro: trocar de advogado, sinalizar colaboração e pedir transferência para as instalações da PF. Vorcaro, que estava preso na Penitenciária Federal de Brasília, teve a transferência autorizada pelo ministro André Mendonça após acenar para a possibilidade de delação. Contratou José Luiz Oliveira Lima, especializado em acordos de colaboração premiada. Costa dispensou Cléber Lopes e fechou com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça no governo Dilma, e Davi Tangerino para conduzir a negociação.

A urgência é objetiva: segundo fontes que acompanham a investigação, Costa precisa fechar antes de Vorcaro. Se o dono do Master formalizar primeiro sua colaboração, o ex-presidente do BRB terá menos informações úteis a oferecer à PF e à PGR. A dinâmica é conhecida em investigações com múltiplos delatores potenciais: o primeiro a cooperar captura as melhores condições do acordo.

O papel de Ibaneis Rocha na investigação

O pedido de saída da Papuda tem um motivo adicional além da estratégia jurídica: a penitenciária é administrada pelo governo do Distrito Federal, e os advogados de Costa avaliam que isso representa um problema, dado que o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) deve ser protagonista de uma eventual delação. A PF apura as transações entre o escritório de advocacia de Ibaneis e fundos ligados ao ecossistema do Master, bem como sua participação nas decisões que levaram o BRB a adquirir carteiras de crédito fraudulentas no valor de R$ 12,2 bilhões.

Cléber Lopes, advogado dispensado por Costa, também representava Ibaneis há anos, o que selou a decisão de troca. O ex-governador deixou o cargo em março para concorrer ao Senado. Sua vice, Celina Leão (PP), assumiu o Palácio do Buriti. Ibaneis defendeu a fusão em agosto de 2025: “O BRB passará a estar, a partir desta fusão, entre os grandes bancos do país”, declarou ao sancionar a aprovação da Câmara Distrital para a compra. Ele nega irregularidades em seus atos no governo.

O que observar

O andamento das colaborações premiadas tem implicação direta sobre a resolução patrimonial do banco estatal de Brasília. A instituição acumulou prejuízos com as carteiras compradas e passou por crises de liquidez documentadas pelo Banco Central. O que as delações podem revelar sobre a governança da operação, especialmente a participação de agentes políticos nas decisões de compra, vai determinar o perímetro da responsabilidade apurada e a velocidade com que o regulador consegue fechar o caso.

A corrida entre os dois investigados por um acordo também é um indicador de prazo: quando múltiplos delatores potenciais competem, o processo tende a se acelerar. Isso pode antecipar decisões do STF sobre cautelares ainda pendentes e redefinir o calendário das negociações do banco estatal com credores e com o Tesouro Nacional, cujo aval ainda é necessário para a solução definitiva da crise.

Fontes: O GloboLet’s MoneyLet’s Money

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