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BRB volta a captar clientes após onda de saques

BRB perdeu cerca de R$ 6 bilhões em saques após a crise do Banco Master e diz já recuperar depósitos enquanto aguarda capitalização de até R$ 8,8 bilhões.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Agência Brasília

O BRB começou a reverter a fuga de clientes que marcou o auge de sua crise de liquidez. O banco perdeu cerca de R$ 6 bilhões em saques desde a liquidação do Banco Master, mas afirma já estar recuperando depósitos enquanto aguarda a capitalização de até R$ 8,8 bilhões liderada pelo governo do Distrito Federal.

A engenharia do socorro ao BRB

Item Valor
Saques desde a liquidação do Master ~R$ 6 bilhões
Empréstimo do FGC (em negociação) Até R$ 6,6 bilhões
Capitalização liderada pelo DF Até R$ 8,8 bilhões
Ativos recebidos do Master R$ 21,9 bilhões (parte sem lastro)

Estrutura do socorro ao BRB após a crise ligada ao Banco Master. Fonte: Bloomberg Línea

O socorro que ainda precisa ser fechado

“Nós perdemos na faixa de R$ 6 bilhões de clientes que estavam cobertos pelo FGC, mas já estamos recuperando”, disse Nelson Antônio de Souza, CEO do BRB, em entrevista à Bloomberg News. Souza, que chegou ao banco em novembro de 2025 para conduzir a recuperação, afirmou que a instituição superou o pior da crise de liquidez, ainda que o reforço de capital continue pendente.

O banco espera que o Distrito Federal conclua até o fim deste mês a negociação com o FGC e os bancos para um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, com prazo de 15 anos e pagamentos a partir de 2028. A proposta tem os maiores bancos do país como fiadores, com contragarantias do próprio DF via repasses federais. Segundo Souza, o governo local já securitizou parte da dívida ativa e aportou cerca de R$ 1 bilhão dos R$ 8,8 bilhões previstos.

A origem no colapso do Master

A crise nasceu dos negócios do BRB com o Banco Master, liquidado em novembro de 2025 no que autoridades tratam como a maior fraude bancária da história do país. O BRB estima ter recebido R$ 21,9 bilhões em ativos do Master, parte deles sem lastro, e o ex-presidente do banco foi preso sob acusação de facilitar operações entre as duas instituições. A tentativa do BRB de comprar o Master foi rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025, dois meses antes da liquidação.

A demora na conclusão do socorro mantém o mercado em alerta. Em maio, a S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito local do banco para brCCC+/brC e avaliou que “descompassos no cronograma ou insuficiência de recursos para absorver as perdas podem elevar o risco de liquidação da instituição”. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou que uma eventual liquidação custaria R$ 17 bilhões ao FGC, somados ao impacto da quebra do Master. Mesmo assim, Souza diz que o banco tem capacidade de seguir operando e estruturou um plano de negócios até 2030 que projeta mais de R$ 1 bilhão de lucro em 2028.

O que observar

O ponto de tensão aqui é o cronograma, não a tese de recuperação. Quando o socorro a um banco depende de uma sequência de aprovações e desembolsos, cada atraso pesa mais sobre a confiança de depositantes do que sobre o balanço em si. Vale acompanhar se a estabilização dos saques se sustenta no intervalo até o reforço de capital efetivo, porque é nesse vão que bancos regionais de médio porte costumam ser testados.

No pano de fundo, fica a pergunta sobre o custo sistêmico de socorrer instituições atingidas por contágio de uma fraude. Se cada resgate desse porte mobiliza fundos garantidores e fiança de grandes bancos, a discussão tende a migrar para como esses mecanismos precificam risco e para o apetite do setor em bancar a próxima rodada.

Fontes: Bloomberg LíneaCongresso em FocoLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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