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BTG lança cartão que junta vale-refeição e alimentação

Cartão BTG Benefícios reúne VA e VR no mesmo Mastercard e chega a um mercado de R$ 150 bi por ano em que os outros bancos entram via participação.

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Piotr Swat / Shutterstock.com

O BTG Pactual passou a vender cartão de benefícios de alimentação para empresas, segmento que movimenta R$ 150 bilhões por ano. Apresentado na quinta-feira (20), no Conarh, o Cartão BTG Benefícios carrega vale-refeição e vale-alimentação no mesmo plástico, roda na rede Mastercard e é administrado pelo RH em ambiente digital. Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú chegaram ao nicho por participação societária.

Onde cada banco grande está em benefícios

Banco Como atua
BTG Pactual Cartão BTG Benefícios, marca própria, com vale-alimentação e vale-refeição no mesmo plástico
Bradesco e Banco do Brasil Atuam no nicho por meio da Alelo
Santander Tem uma fatia na Pluxee, antiga Sodexo
Itaú Mantém participação na Ticket

Posições dos bancos descritas na reportagem de 20 de agosto de 2026. Fonte: Valor Econômico

O que o cartão BTG Benefícios entrega

Pelo lado de quem recebe o benefício, o cartão aparece dentro do BTG Pactual Banking, o mesmo aplicativo em que o banco atende pessoa física. Pelo lado de quem contrata, a promessa é substituir planilha e portal de operadora por um painel de administração. “Estamos trazendo para o mercado de benefícios a experiência digital, a segurança e a qualidade de atendimento que fazem parte do padrão BTG”, disse em nota o sócio-diretor do BTG Pactual, Marcelo Flora.

O incômodo com a experiência dos cartões corporativos é exatamente a brecha que trouxe novos entrantes para o setor. Em entrevista ao podcast Let’s Money em março de 2026, Eduardo Del Giglio, cofundador e CEO da Caju, que virou plataforma multiproduto de RH, resumiu o que viu quando conheceu o mercado: “Quando eu conheci o produto de benefícios […] como que na PF eu tenho uma experiência tão boa e na PJ […]”. O episódio foi gravado antes de bancos de atacado entrarem na disputa.

A regra que reorganizou a disputa

O Decreto 12.712/2025 passou a valer para todas as empresas que concedem os benefícios, inscritas ou não no PAT, e alcança emissoras, credenciadoras e demais agentes da cadeia. O texto proíbe rebates e deságios ao contratante, veda a cobrança de taxas de adesão e anuidade dos estabelecimentos, fixa teto de 3,6% na taxa cobrada do comércio e prazo máximo de 15 dias corridos para o repasse, com multas de R$ 5 mil a R$ 50 mil. A interoperabilidade passou a ser obrigatória para operadoras com mais de 500 mil usuários, segundo a Bloomberg Línea.

Sem o desconto na renovação de contrato como arma comercial, o tamanho da base deixou de ser proteção suficiente. As associadas da ABBT, entre elas Alelo, VR, Ticket, Pluxee e UP Brasil, respondem por mais de 90% de um mercado que alcança mais de 22 milhões de trabalhadores, na conta do Ministério do Trabalho. A Flash captou R$ 150 milhões em série D na véspera do lançamento do BTG, com meta declarada de liderar o setor até 2030, e o C6 Bank prepara operação própria de vale-refeição para o segundo semestre.

O que observar

A entrada de um banco de atacado muda o eixo da disputa. Enquanto as HRtechs cresceram vendendo software de gestão de pessoas com o cartão embutido, e as operadoras tradicionais defendem base instalada e rede credenciada, um banco chega com folha, crédito e conta já dentro da mesma empresa cliente. Vale acompanhar se o argumento de venda vai ser o preço do serviço, agora limitado pelo teto de taxa, ou o pacote financeiro em volta do benefício.

O segundo teste é operacional. Com interoperabilidade obrigatória para as maiores operadoras, a diferenciação por rede de aceitação tende a encolher, e sobra a disputa por quem resolve melhor o dia a dia do RH. A pergunta é quantos contratos corporativos trocam de fornecedor no primeiro ciclo de renovação sob as novas regras.

Fontes: Valor EconômicoMinistério do Trabalho e EmpregoBloomberg LíneaLet’s Money Podcast, O ecossistema da Caju

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