O BTG Pactual passou a vender cartão de benefícios de alimentação para empresas, segmento que movimenta R$ 150 bilhões por ano. Apresentado na quinta-feira (20), no Conarh, o Cartão BTG Benefícios carrega vale-refeição e vale-alimentação no mesmo plástico, roda na rede Mastercard e é administrado pelo RH em ambiente digital. Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Itaú chegaram ao nicho por participação societária.
Onde cada banco grande está em benefícios
| Banco |
Como atua |
| BTG Pactual |
Cartão BTG Benefícios, marca própria, com vale-alimentação e vale-refeição no mesmo plástico |
| Bradesco e Banco do Brasil |
Atuam no nicho por meio da Alelo |
| Santander |
Tem uma fatia na Pluxee, antiga Sodexo |
| Itaú |
Mantém participação na Ticket |
Posições dos bancos descritas na reportagem de 20 de agosto de 2026. Fonte: Valor Econômico
O que o cartão BTG Benefícios entrega
Pelo lado de quem recebe o benefício, o cartão aparece dentro do BTG Pactual Banking, o mesmo aplicativo em que o banco atende pessoa física. Pelo lado de quem contrata, a promessa é substituir planilha e portal de operadora por um painel de administração. “Estamos trazendo para o mercado de benefícios a experiência digital, a segurança e a qualidade de atendimento que fazem parte do padrão BTG”, disse em nota o sócio-diretor do BTG Pactual, Marcelo Flora.
O incômodo com a experiência dos cartões corporativos é exatamente a brecha que trouxe novos entrantes para o setor. Em entrevista ao podcast Let’s Money em março de 2026, Eduardo Del Giglio, cofundador e CEO da Caju, que virou plataforma multiproduto de RH, resumiu o que viu quando conheceu o mercado: “Quando eu conheci o produto de benefícios […] como que na PF eu tenho uma experiência tão boa e na PJ […]”. O episódio foi gravado antes de bancos de atacado entrarem na disputa.
A regra que reorganizou a disputa
O Decreto 12.712/2025 passou a valer para todas as empresas que concedem os benefícios, inscritas ou não no PAT, e alcança emissoras, credenciadoras e demais agentes da cadeia. O texto proíbe rebates e deságios ao contratante, veda a cobrança de taxas de adesão e anuidade dos estabelecimentos, fixa teto de 3,6% na taxa cobrada do comércio e prazo máximo de 15 dias corridos para o repasse, com multas de R$ 5 mil a R$ 50 mil. A interoperabilidade passou a ser obrigatória para operadoras com mais de 500 mil usuários, segundo a Bloomberg Línea.
Sem o desconto na renovação de contrato como arma comercial, o tamanho da base deixou de ser proteção suficiente. As associadas da ABBT, entre elas Alelo, VR, Ticket, Pluxee e UP Brasil, respondem por mais de 90% de um mercado que alcança mais de 22 milhões de trabalhadores, na conta do Ministério do Trabalho. A Flash captou R$ 150 milhões em série D na véspera do lançamento do BTG, com meta declarada de liderar o setor até 2030, e o C6 Bank prepara operação própria de vale-refeição para o segundo semestre.
O que observar
A entrada de um banco de atacado muda o eixo da disputa. Enquanto as HRtechs cresceram vendendo software de gestão de pessoas com o cartão embutido, e as operadoras tradicionais defendem base instalada e rede credenciada, um banco chega com folha, crédito e conta já dentro da mesma empresa cliente. Vale acompanhar se o argumento de venda vai ser o preço do serviço, agora limitado pelo teto de taxa, ou o pacote financeiro em volta do benefício.
O segundo teste é operacional. Com interoperabilidade obrigatória para as maiores operadoras, a diferenciação por rede de aceitação tende a encolher, e sobra a disputa por quem resolve melhor o dia a dia do RH. A pergunta é quantos contratos corporativos trocam de fornecedor no primeiro ciclo de renovação sob as novas regras.
Fontes: Valor Econômico • Ministério do Trabalho e Emprego • Bloomberg Línea • Let’s Money Podcast, O ecossistema da Caju