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BTG vê Desenrola 2.0 como amplamente positivo para bancos

BTG avalia que Desenrola 2.0 é mais eficiente que a versão 2023 e vai impulsionar crédito, mas alerta risco em bancos com consignado INSS.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O BTG Pactual avalia o Novo Desenrola Brasil como “amplamente positivo” para os bancos e provavelmente mais eficaz do que o programa de renegociação de 2023. Em análise divulgada após o lançamento da iniciativa pelo governo federal na segunda-feira (4), os analistas destacam que a maior coordenação com o setor bancário deve facilitar a execução. O programa mira até 20 milhões de pessoas em 90 dias, com descontos de até 90% em dívidas de cartão de crédito.

Novo Desenrola Brasil: condições por modalidade

Modalidade Desconto / Condição
Cartão de crédito (rotativo) Até 90%
Crédito pessoal 30% a 80%
Cheque especial Incluso no programa
Taxa de juros máxima 1,99% ao mês
Prazo máximo de quitação 48 meses
Limite por pessoa / instituição R$ 15 mil

Novo Desenrola Brasil, lançado em 4 de maio de 2026. Fonte: Agência Brasil

Por que o BTG vê o Desenrola 2.0 como superior ao de 2023

O Desenrola original, lançado em 2023, enfrentou dificuldades operacionais que limitaram o alcance. Na avaliação do BTG, o novo programa avança ao integrar melhor o setor bancário na execução. “De forma geral, vemos o programa como amplamente positivo para os bancos e provavelmente mais eficaz do que o Desenrola 1”, destacam os analistas.

Quatro fatores sustentam a expectativa de que a qualidade do crédito no varejo permanecerá sob controle no curto prazo: desemprego ainda baixo, isenção de impostos para famílias de menor renda, a expansão do crédito consignado privado, que já movimenta R$ 110 bilhões, e a própria implementação do Desenrola 2.0. O programa também permite o uso do FGTS: trabalhadores podem usar até 20% do saldo ou R$ 1 mil, o que for maior, para quitar dívidas.

Consignado INSS: o ponto de risco para bancos médios

Apesar do cenário geral positivo, o BTG sinaliza que mudanças no crédito consignado podem pressionar instituições com maior concentração nesse produto. Para beneficiários do INSS, o limite de comprometimento de renda cai de 45% para 40%, enquanto o prazo máximo sobe de 96 para 108 meses.

O banco estima que esse ajuste pode ter impacto negativo em alguns bancos médios com exposição elevada ao segmento. Em março, o BTG já analisava o setor ao recomendar compra de ações de fintech especializada em consignado INSS, quando o produto foi retomado após suspensão regulatória.

O que observar

A eficácia real do programa depende da adesão das instituições financeiras, que é voluntária. Em 90 dias de mobilização, o alcance de 20 milhões de pessoas só se concretiza se a cobertura bancária for ampla. Instituições que aderirem seletivamente podem concentrar o impacto em carteiras específicas, limitando o efeito sobre inadimplência no varejo. O primeiro indicador público virá nos resultados do terceiro trimestre de 2026.

O consignado é o eixo de risco mais estrutural. Bancos e fintechs com carteiras pesadas em empréstimos a aposentados e pensionistas precisarão recalibrar margens com base nas novas regras de comprometimento de renda. Vale monitorar como esse rebalanceamento afeta spreads e originação de crédito nesse segmento ao longo do segundo semestre.

Fontes: Valor InvesteAgência BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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