O BTG Pactual registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,808 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita total foi recorde em R$ 9,968 bilhões, impulsionada pela consolidação do Banco Pan, que criou uma nova vertical de Consumer Finance e Banking no balanço do grupo.
Receita por vertical: BTG Pactual 1T26
| Vertical |
Receita 1T26 |
Var. anual |
| Corporate Lending |
R$ 2,332 bi |
+20,7% |
| Sales & Trading |
R$ 1,877 bi |
+43,1% |
| Wealth Management |
R$ 1,516 bi |
+44,6% |
| Consumer Finance (Pan) |
R$ 1,125 bi |
+40,1% |
| Asset Management |
R$ 783 mi |
+6,5% |
| Investment Banking |
R$ 628 mi |
+65,1% |
Receita por vertical no 1T26. Fonte: Valor Econômico
A vertical que o Banco Pan criou
A consolidação do Banco Pan, concluída no início de 2026, gerou uma nova linha de receitas no balanço do BTG: a “Consumer Finance & Banking”, que somou R$ 1,125 bilhão no trimestre, alta trimestral de 20,4% e anual de 40,1%. O portfólio de crédito dessa vertical alcançou R$ 73,6 bilhões, crescimento de 14,1% em um único trimestre, puxado principalmente por consignado privado e financiamento de veículos.
Em abril, o BTG concluiu a aquisição de 48% da Meutudo, fintech de crédito digital fundada em 2019 que já originou mais de R$ 20 bilhões em operações e atendeu 19 milhões de clientes. Mais de R$ 10 bilhões desse volume foram concedidos na modalidade de consignado privado, segmento em que o BTG já financiava mais de 80% das operações da fintech antes da entrada acionária.
Recordes em Wealth e Investment Banking
A divisão de Wealth Management registrou receita recorde de R$ 1,516 bilhão, com crescimento de 10,7% no trimestre e de 44,6% em relação ao 1T25. Os recursos de terceiros alcançaram R$ 2,594 trilhões, alta anual de 28,1%, e a captação líquida de clientes somou R$ 82,8 bilhões no trimestre. O banco de investimentos teve receita de R$ 627,9 milhões, alta de 65,1% no ano, com 36 operações de dívida (DCM), 10 de ações (ECM) e 9 transações de M&A.
O resultado acompanha um ciclo de lucratividade expressiva no setor financeiro digital: Nubank, XP, Stone, PagBank e Inter juntos superaram R$ 7 bilhões em lucro no 3T25, sinalizando virada estrutural de margem nas grandes instituições. “Esse desempenho reflete a força e a diversificação da nossa plataforma, a expansão contínua da nossa base de clientes e a disciplina na alocação de capital”, disse Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, em nota. O retorno ajustado sobre o patrimônio (ROAE) ficou em 26,6%, acima dos 23,2% do 1T25. Em fevereiro, Sallouti havia afirmado que o banco estava confiante em entregar um retorno sobre patrimônio sustentável acima de 25% nos próximos anos.
O que observar
O crescimento de 14,1% em um único trimestre no portfólio de Consumer Finance sinaliza apetite agressivo em consignado e veículos num ciclo de juros elevados. O que ainda não está no balanço é a qualidade dessa carteira: a inadimplência da vertical não foi detalhada no relatório do 1T26. Instituições financeiras de varejo carregam perfil de risco distinto das linhas corporativas que sustentaram historicamente o retorno do banco, e os próximos trimestres vão mostrar se a integração com a fintech adquirida pressiona ou protege as margens nesse segmento.
O ROAE de 26,6% confirma o piso prometido pelo CEO. A questão estrutural é se, com a subsidiária de varejo e a fintech adquirida dentro do balanço, o crescimento de ativos em varejo vai elevar o retorno acima de 27% ou introduzir volatilidade que as linhas de atacado e gestão de patrimônio precisarão compensar. O earnings call do 2T26 será o primeiro termômetro real com a carteira consolidada.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Seu Dinheiro • InfoMoney