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SegurançaSegurança · Ataque hacker

BTG suspende Pix após ataque hacker desviar R$ 100 milhões

Banco identificou desvio de R$ 100 milhões de recursos próprios. É o terceiro ataque de grande porte ao ecossistema Pix em menos de um ano.

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· 3 min

Atualizado em

O BTG Pactual suspendeu todas as operações de Pix após identificar um ataque que desviou cerca de R$ 100 milhões de recursos próprios depositados junto ao Banco Central. A maior parte foi recuperada, mas entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões ainda estão em rastreamento.

Ataques ao ecossistema Pix

Quando Alvo Impacto estimado
Jul/2025 C&M Software (provedora de tecnologia) R$ 800+ mi desviados, 3 instituições suspensas pelo BC
Jan/2026 Banco do Nordeste (via provedor terceirizado) Pix suspenso preventivamente, valor em apuração
Mar/2026 BTG Pactual ~R$ 100 mi desviados, maior parte recuperada

Fontes: Bloomberg Línea, Agência Brasil

A escalada de ataques ao ecossistema Pix

O banco identificou atividades atípicas na manhã do domingo, 22 de março, e ativou protocolos de segurança que resultaram na suspensão preventiva de todas as operações via Pix. Em comunicado, o BTG afirmou que “não houve acesso a contas de clientes e nenhum dado de correntista foi exposto”. Os valores desviados não saíram de contas de correntistas, e sim de reservas que a instituição mantém junto ao BC para liquidação de transações no sistema de pagamentos instantâneos. O Banco Central não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

O incidente se soma a uma sequência que vem testando a resiliência do Pix. Em julho de 2025, o maior ataque hacker ao Pix partiu de um hotel de luxo em Brasília, explorando vulnerabilidades na C&M Software, provedora que conecta instituições ao sistema. O desvio ultrapassou R$ 800 milhões, afetou ao menos oito instituições e levou o BC a suspender três participantes.

Em janeiro de 2026, foi a vez do Banco do Nordeste suspender o Pix após ataque hacker a um provedor terceirizado.

Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2024, Daré, CEO da Núclea, detalhou o DetectaFlow, sistema que conecta bancos para rastrear transações Pix via grafos em tempo real. Na época, a ferramenta já buscava preencher a lacuna de segurança criada pela instantaneidade do Pix. Após o caso C&M, o BC ampliou as exigências de detecção de anomalias para todos os participantes.

O que observar

Os três incidentes compartilham um padrão: o alvo não são contas de pessoas físicas, mas a camada de liquidação que conecta instituições ao sistema de pagamentos instantâneos. Atacantes exploram vulnerabilidades em provedoras de tecnologia ou contas de reserva junto ao BC, onde valores transitam sem identificação individual de correntistas. Para bancos de grande porte, a suspensão do Pix gera atrito operacional e reputacional significativo, mesmo quando nenhum cliente é diretamente lesado.

Vale acompanhar se o regulador vai publicar novas exigências de segurança para participantes do Pix, especialmente sobre governança de provedores terceirizados e auditorias de sistemas de liquidação. A frequência dos ataques, três episódios de porte em menos de um ano, sugere que os mecanismos de proteção em tempo real ainda não acompanham a sofisticação dos invasores. O próximo teste será verificar em quantos dias o serviço é restabelecido e se a recuperação integral dos valores desviados é confirmada.

Fontes: Bloomberg LíneaPoder360CNN BrasilAgência BrasilLet’s Money Podcast

Nota do BTG

O BTG Pactual informa que iniciou o restabelecimento do serviço de PIX na manhã desta segunda-feira (23/03) após suspensão do serviço por medida preventiva no domingo (22/03). A paralisação ocorreu após identificação de atividades atípicas que acionaram os sistemas de segurança na manhã do domingo. O BTG Pactual esclarece que não houve acesso a contas de clientes nem exposição de dados de correntistas. O banco reforça, ainda, que a segurança das informações é prioridade e permanece disponível em caso de dúvidas em seus canais de atendimento.

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