O banco BV registrou lucro líquido recorrente de R$ 481 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 3,5% sobre o trimestre anterior, e encerrou o período com carteira de crédito ampliada de R$ 102,1 bilhões, cruzando pela primeira vez a marca de R$ 100 bilhões. O ROE recorrente chegou a 16%, ante 15,5% no mesmo período de 2025.
Banco BV: principais indicadores do 1T26
Indicador
1T26
Variação anual
Lucro líquido recorrente
R$ 481 mi
+0,2%
ROE recorrente
16%
+0,5 p.p.
Carteira ampliada
R$ 102,1 bi
+13%
Originação de veículos (varejo)
R$ 8,5 bi
+42,9% (recorde)
Inadimplência total
4,7%
+0,4 p.p.
Resultado do banco BV no primeiro trimestre de 2026. Fonte: Valor Econômico
Veículos como motor do crescimento
O desempenho foi puxado pelo financiamento de veículos leves usados, segmento em que o banco vem apostando na diversificação como alavanca de rentabilidade. A originação no segmento totalizou R$ 8,5 bilhões, volume 42,9% maior que o do mesmo período de 2025, configurando recorde histórico. A carteira de varejo encerrou em R$ 72,975 bilhões, com alta de 12,9% em 12 meses, enquanto o atacado cresceu 13,3%, a R$ 29,158 bilhões.
“O trimestre reforça a resiliência do nosso modelo de negócio. Superamos a marca de R$ 100 bilhões em carteira mantendo a disciplina na originação e avançando na democratização do crédito de forma sustentável, com foco em modalidades com garantia”, disse Gustavo Sousa, CEO do banco BV.
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Inadimplência estável no varejo, caso isolado no atacado
A inadimplência total ficou em 4,7% em março, mesmo patamar de dezembro e acima dos 4,3% de um ano antes. No varejo, o indicador melhorou, passando de 5,9% para 5,8% no trimestre. No atacado, subiu de 0,6% para 1,3%, movimento que o banco atribuiu a um caso específico: excluindo esse efeito, o indicador teria encerrado o trimestre em 1,1%, alta de 50 pontos-base na comparação trimestral. O banco esclarece que, desde o quarto trimestre de 2025, reporta o over-90 incluindo a carteira de TVM privado.
O crescimento da originação de veículos bem acima do setor levanta uma questão sobre seleção de risco: quando uma carteira avança 42,9% num mercado que cresce 12,8%, vale acompanhar se a inadimplência de varejo, que melhorou no trimestre, sustenta esse comportamento nos próximos períodos ou se reflete a defasagem natural das safras mais recentes de crédito com garantia.
No atacado, a oscilação de 70 pontos-base concentrada em um único caso mostra como a composição da inadimplência importa tanto quanto o número agregado. Bancos médios com exposição em crédito corporativo tendem a ter indicadores mais sensíveis a eventos individuais, o que torna a leitura granular mais relevante do que a variação total sugere. O próximo balanço dirá se o caso específico foi saneado ou segue impactando a série.