O BV vai acompanhar de dentro um dos principais polos globais de tecnologia. Um acordo com a Enhub garante ao banco uma base institucional no Vale do Silício e pontes com Stanford e Berkeley, aposta para acelerar a chegada de inteligência artificial à operação, que emprega quase 4 mil pessoas.
Enhub vira braço do BV no Vale do Silício
No arranjo, a Enhub fará o papel de representação permanente do banco na região. A empresa, cujo negócio é aproximar grandes corporações dos polos de inovação mais ativos do planeta, vai manter uma operação alinhada às prioridades do BV, que também enviará times de executivos com frequência à Califórnia. “Estar lá presencialmente, ver as soluções funcionando na prática, na sua frente, tem um valor muito diferente. O Vale do Silício é onde conceitos são lançados e testados”, disse ao Valor Alberto Campos, que comanda a vice-presidência de Tecnologia do BV.
O acordo formaliza um movimento que já vinha rendendo frutos. De duas expedições recentes da diretoria à região saíram o Impulsiona, programa com quatro frentes (agentificação, desenvolvimento de software, processos corporativos e pessoas), e uma ferramenta de consolidação de impostos nascida de um “estalo” em reunião presencial. O banco não descarta abrir no futuro um escritório próprio por lá, mas antes quer levar o contato com as novas tecnologias ao conjunto dos funcionários. A GenAI já é operação relevante dentro de casa: os aceleradores de desenvolvimento acumularam mais de R$ 59 milhões em benefícios financeiros em 2025.
Da missão ao Vale à cobrança feita por agentes de IA

Uma dessas missões ao Vale do Silício já virou caso concreto de agentes de IA em produção. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2026, Renato Bonetti, vice-presidente de crédito e riscos de cobrança do BV, contou que o programa Cobrança 5.0 nasceu quando a diretoria conheceu, em visita a startups da região, uma solução conversacional aplicada à cobrança que ainda fazia provas de conceito. “Em praticamente 6 meses, a gente saiu de uma visita onde a gente conheceu uma startup e hoje a gente tá com 85% da nossa cobrança curta, que é de 5 a 15 dias, já sendo feito por um agente”, disse Bonetti. Segundo ele, o agente opera a um terço do custo da operação humana, e a economia prevista com o programa passa de R$ 11 milhões em 2026.
Cobrança 5.0: agentes de IA na cobrança do BV
| Indicador |
Resultado |
| Cobrança curta (5 a 15 dias) via agente de IA |
85% |
| Sucesso nas ligações (benchmark humano: ~44%) |
48%, meta de 53% até o fim de 2026 |
| Custo vs. operação humana |
1/3 |
| Cobrança acima de 120 dias via agente |
5%, objetivo de 50% até o fim de 2026 |
Resultados relatados pelo BV em entrevista de 2026. Fonte: Let’s Money Podcast
O movimento do BV se insere numa corrida dos bancos brasileiros pela fronteira da IA. O Nubank abriu um centro de IA em Palo Alto em abril de 2026, e o Banco do Brasil treina 36 mil funcionários em IA agêntica.
O que observar
O desenho levanta uma questão de modelo: enquanto alguns bancos abrem centros próprios no exterior, outros preferem presença via parceiro especializado, com custo fixo menor. Se os casos de uso continuarem saindo de visitas presenciais, como aconteceu na cobrança, o formato de parceria tende a ganhar adeptos entre instituições de médio porte. Para as assessorias de cobrança, o dado de custo é o alerta: agentes a um terço do preço da operação humana pressionam a reprecificação do segmento, e vale acompanhar se esses prestadores desenvolvem seus próprios agentes para defender contratos.
Fontes: Valor • TI Inside • Let’s Money Podcast