A ByteDance, dona do TikTok, captou um empréstimo de US$ 29,6 bilhões junto a quase 30 bancos para bancar sua ofensiva em inteligência artificial (IA). É o segundo maior empréstimo da Ásia no ano, atrás apenas dos US$ 40 bilhões levantados pelo SoftBank em março de 2026 para reforçar o investimento na OpenAI.
O empréstimo da ByteDance em números
| Item |
Dado |
| Valor captado |
US$ 29,6 bilhões |
| Meta inicial |
US$ 20 bilhões |
| Bancos participantes |
Quase 30 |
| Prazo |
Três anos, sem garantia |
| Referência (SoftBank, março) |
US$ 40 bilhões |
Dados do empréstimo captado pela ByteDance, segundo a Reuters. Fonte: PYMNTS
Um empréstimo sem garantia apoiado no nome da ByteDance
A operação foi reportada pela Reuters e chama atenção não só pelo tamanho, mas pela estrutura: o empréstimo é sem garantia, ou seja, a ByteDance não ofereceu nenhum ativo como colateral. Para os credores, é um voto de confiança na capacidade de pagamento da controladora do TikTok. “É muito raro ver um megaempréstimo desse porte sem garantia. Os bancos estão praticamente contando apenas com o nome da ByteDance”, disse uma das fontes à Reuters.
O financiamento, de prazo de três anos e coordenado por Citigroup e JPMorgan, teve mais de 60% do valor subscrito por bancos chineses, com participação ainda de instituições dos Estados Unidos, da Europa e de Singapura. A ByteDance havia planejado captar US$ 20 bilhões, mas elevou a meta diante da forte demanda dos bancos.
Dinheiro mira infraestrutura de IA fora da China
Segundo uma das fontes, os recursos vão financiar projetos fora da China, e a ByteDance se comprometeu a comprar capacidade em vários data centers do Sudeste Asiático. O movimento coloca a empresa na mesma corrida por infraestrutura que mobiliza as chamadas hyperscalers, as gigantes de computação em nuvem. “A ByteDance está competindo com hyperscalers locais em data centers de IA e com hyperscalers globais em modelos multimodais de IA”, afirmou Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia.
No Brasil, o TikTok pediu licença ao Banco Central para operar como fintech, sinal do apetite do grupo por serviços financeiros.
A empresa também avalia permitir o envio de dinheiro por mensagem direta dentro do aplicativo, um teste que aproxima o app de uma carteira digital.
O que observar
A escala do empréstimo, e o fato de ser sem garantia, mostra o quanto os bancos estão dispostos a financiar a corrida por infraestrutura de IA. Vale acompanhar se esse apetite dos credores se sustenta caso o retorno dos investimentos em data centers demore mais do que o previsto, um risco que pesa sobre todo o setor de tecnologia.
A pergunta operacional é como reguladores e sistemas bancários vão tratar exposições concentradas em poucos nomes de tecnologia. Se megaempréstimos sem colateral virarem padrão para financiar IA, a saúde do crédito passa a depender diretamente da execução de projetos que ainda não geraram receita.
Fontes: PYMNTS • Tech Startups • Let’s Money • Let’s Money