O C6 Bank registrou uma redução média de 88% no tempo de entrega de projetos de tecnologia depois de adotar inteligência artificial agêntica na operação, resultado anunciado em 3 de setembro de 2026, durante o AWS Summit São Paulo. O ganho veio da capacitação das equipes para trabalhar com o Kiro, assistente autônomo de desenvolvimento integrado a tecnologias da Amazon Web Services.
Em vez de medir a eficiência da tecnologia apenas por métricas de produção de código, o banco priorizou as etapas de planejamento, capacitação e mensuração. A instituição, que lucrou R$ 1,25 bilhão no primeiro semestre de 2026, tem mais de 42 milhões de clientes.
Antes e depois nos projetos do banco
Projeto
Antes
Depois
Novo produto financeiro
8 a 10 sprints
1 sprint
Plataforma de dados governada
3 meses, equipe completa
8 dias, 2 arquitetos
Revisão de compliance regulatório
2 meses, equipe multidisciplinar
8 dias
Migração de framework de backend
até 8 sprints, equipe completa
1 sprint, 1 profissional
Comparativos informados pelo banco. Fonte: C6 Bank e AWS
Produto novo em uma sprint, compliance em oito dias
A concepção e a aprovação regulatória de um novo produto financeiro, que tradicionalmente demandariam de 8 a 10 sprints, foram concluídas em uma única sprint. O produto já está em produção, gerenciando centenas de milhares de reais e atendendo a milhares de clientes. A revisão de compliance regulatório, que antes exigia dois meses de uma equipe multidisciplinar, passou a ser feita em oito dias.
“A chave para o sucesso da IA agêntica está em permitir que ganhemos velocidade no processo de construção de produtos sem deixar de lado a segurança e a governança com as quais toda solução no mercado financeiro deve nascer”, afirma José Luiz Santana, CISO do C6 Bank.
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Ferramenta roda dentro do ambiente do banco
Cliente da AWS como principal provedor de nuvem desde a fundação, em 2018, o C6 estruturou o Kiro integrado ao Amazon Bedrock, plataforma de modelos de IA generativa da AWS. A escolha atende aos critérios de segurança da instituição: a ferramenta opera inteiramente conectada à conta AWS dentro do ambiente isolado do banco, sem exposição de dados a terceiros.
“O Kiro é muito mais que um gerador de código. É um assistente intelectual altamente qualificado, capaz de apoiar planejamento, criação de cenários, validação de ideias, revisão de normativas e automação de processos, ampliando os limites do possível. No entanto, o desenvolvedor humano permanece como parceiro crucial para especificar, pensar e validar o trabalho da ferramenta”, destaca Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil.
722 pessoas treinadas antes do acesso
O banco condicionou o acesso à ferramenta a uma capacitação prévia obrigatória. Antes de usar o Kiro em ambiente de produção, 722 colaboradores foram treinados, com exigência de presença mínima de 75%. O programa cobriu funcionamento de modelos de linguagem de grande escala, uso responsável de IA, gestão de tokens, segregação de dados e compliance regulatório.
O Kiro atua hoje nas áreas de engenharia, segurança, dados e machine learning, e assumiu também tarefas administrativas, como a compilação de dados para relatórios gerenciais. Desde 2024, o banco já opera o C6 Assistant, que analisa gastos em conta e fatura.
O que observar
O caso interessa a quem decide adoção de IA em área de tecnologia regulada, porque o gargalo declarado não foi escrever código, e sim planejamento, capacitação e revisão normativa. Os pontos a acompanhar são a manutenção do ganho fora dos projetos-piloto citados, o custo de tokens à medida que o uso escala e como auditoria e reguladores tratam entregas em que parte do trabalho de especificação passou por um agente.