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C6 Bank lucra R$ 1,25 bi no semestre, alta de 20%

C6 Bank lucra R$ 1,25 bilhão no 1º semestre de 2026, alta de 20%, com receita recorde de R$ 6,26 bilhões e carteira de crédito de R$ 99,8 bilhões.

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· 4 min

Atualizado em

O C6 Bank fechou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,25 bilhão, alta de 20% em um ano e a melhor marca do banco para o período. A receita líquida também bateu recorde semestral, com salto de 48%, para R$ 6,26 bilhões, e o retorno sobre o patrimônio anualizado ficou em 38%.

“Tivemos crescimento em todas as nossas linhas, sem exceção”, disse Marcelo Kalim, cofundador e CEO do banco digital, em entrevista ao NeoFeed. “Foi um semestre bom, mas teria sido bem melhor se a economia tivesse ajudado.”

C6 Bank no 1º semestre de 2026

Indicador Resultado Variação anual
Lucro líquido R$ 1,25 bi +20%
Receita líquida R$ 6,26 bi +48%
Carteira de crédito expandida R$ 99,8 bi +38%
Captação total R$ 125,6 bi +34%
Índice de eficiência 42% melhora de 4 p.p.

Balanço do primeiro semestre de 2026 do C6 Bank. Total de ativos de R$ 171 bilhões e mais de 42 milhões de clientes. Fonte: NeoFeed

Onde o crédito do C6 Bank cresceu

A carteira de crédito expandida fechou o semestre em R$ 99,8 bilhões, crescimento anual de 38%. O consignado público e privado respondeu por 45% dessa composição, seguido pelo financiamento de veículos, com 30%, e por empréstimos a pessoa física, com 13%. Crédito para pessoa jurídica e home equity ficaram com 11% e 1%, respectivamente. Os empréstimos colateralizados representaram 82% da carteira no período.

O banco também ampliou a base e o funding. A captação total avançou 34%, para R$ 125,6 bilhões, o total de ativos chegou a R$ 171 bilhões e o semestre terminou com mais de 42 milhões de clientes. O índice de eficiência ficou em 42%, uma melhora anual de 4 pontos percentuais. Em fevereiro de 2026, o C6 havia reportado lucro de R$ 2,46 bilhões no acumulado de 2025, alta de 8,5%.

O custo do avanço no consignado privado

O crescimento da carteira veio com uma conta maior de risco. As despesas com provisões para devedores duvidosos saltaram de R$ 996 milhões para R$ 2,4 bilhões, movimento atribuído pelo banco principalmente ao avanço do consignado privado, linha que exige maior provisionamento. A inadimplência acima de 90 dias foi de 3,6%, contra 3,2% um ano antes. Excluído o efeito da nova regra contábil do Conselho Monetário Nacional, que alterou os prazos de reconhecimento de juros em atraso e de baixa de ativos vencidos, o índice seria de 2,6%.

A rentabilidade acompanhou esse movimento: o retorno sobre o patrimônio líquido médio recuou de 43% no primeiro semestre de 2025 para 38% no mesmo intervalo de 2026, segundo a Reuters. O contexto do consignado privado, aliás, mudou para todo o mercado: a modalidade recuou após o novo teto de juros.

“Tivemos um pouco mais de PDD do que imaginávamos. As pessoas físicas estão com um comprometimento de renda no seu mais alto patamar histórico e as empresas também estão tendo mais dificuldade com essa taxa de juros”, afirmou Kalim. À Reuters, o executivo apontou arrefecimento recente: “Em junho, julho e já em agosto nós estamos vendo uma melhora nesses indicadores (de inadimplência). Ainda estão em um patamar acima de 2025, mas mais em linha com o que o banco esperava que fosse”.

Mesmo com o cenário macro restrito, o banco prepara novas frentes. No segmento de pessoa jurídica, já definiu a entrada em benefícios. “O segmento de benefícios é bastante complementar ao que já ofertamos para pequenas e médias empresas”, explicou Kalim, que afirmou que o produto chega integrado ao app e ao cartão ainda neste semestre. Para o horizonte à frente, a leitura do CEO é de cautela: “O grande desafio, de fato, será o primeiro semestre de 2027. E é difícil apertar muito mais do que já estamos apertando no crédito, mas estamos preparados”.

O que observar

O balanço mostra um banco digital que já opera na régua de instituição madura: crescimento de dois dígitos com rentabilidade alta e eficiência melhorando. A pergunta que fica é sobre a composição desse crescimento. Quando quase metade de uma carteira está concentrada em uma modalidade que puxa provisionamento e passou por mudança de teto de juros, o resultado do próximo semestre depende menos de originação e mais da qualidade da safra já contratada.

Vale acompanhar dois marcos operacionais. O primeiro é se a melhora recente nos indicadores de atraso se sustenta ou se é efeito de sazonalidade, já que a comparação ainda parte de um patamar acima do ano anterior. O segundo é o efeito da nova regra contábil, que cria um degrau de cerca de 1 ponto percentual entre o índice reportado e o índice sem o ajuste, e que vai atravessar todos os balanços do setor daqui para frente. Para bancos digitais que buscam diversificar receita em serviços a pequenas e médias empresas, a questão é se a nova frente entra rápido o bastante para compensar um ciclo de crédito mais apertado.

Fontes: NeoFeedReuters via Terra

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