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Cade barra Itaú de recusar operações em carteiras digitais

Tribunal do Cade mantém, por unanimidade, medida preventiva contra o Itaú e fixa multa de R$ 250 mil por dia. Decisão pode se estender a outros emissores.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O Cade manteve, por unanimidade, a medida preventiva que proíbe o Itaú de recusar transações realizadas por carteiras digitais de concorrentes. A decisão do tribunal, publicada em 19 de março, fixa multa de R$ 250 mil por dia por evento de descumprimento e pode servir de precedente para outros emissores de cartão de crédito com condutas similares.

CRONOLOGIA , CADE vs ITAÚ (CARTEIRAS DIGITAIS)

Fev/2025 → SG do Cade determina fim das recusas a carteiras concorrentes
              Multa: R$ 250 mil/dia por descumprimento

2025 → Itaú obtém liminar e suspende a medida

Mar/2026 → Tribunal do Cade julga recurso e mantém medida por unanimidade
              Relator: Gustavo Augusto (presidente do Cade)
              Processo: 08700.002316/2025-17

Obrigações impostas ao Itaú:
▶ Não recusar transações em carteiras digitais concorrentes
▶ Justificar recusas com critérios objetivos, claros e não discriminatórios
▶ Dar acesso ao cliente afetado sobre motivo da recusa
▶ Permitir que operadoras de carteiras solicitem esclarecimentos

Fonte: Cade (gov.br)

O que o Itaú fazia e por que o Cade interveio

A investigação apura que o Itaú recusava transações com cartão de crédito embarcado em carteiras digitais concorrentes para pagamento de boletos, transferências Pix e transferências entre clientes (P2P). Na prática, um cliente Itaú que tentasse pagar um boleto pelo PicPay, que acaba de superar projeções no 4T25, ou pelo Mercado Pago teria a operação bloqueada, enquanto a mesma transação era autorizada nos canais próprios do banco.

O Itaú alegou que transações via carteiras digitais tinham inadimplência até cinco vezes superior à média, gerando “desequilíbrio financeiro” e risco de superendividamento. A Superintendência-Geral do Cade rejeitou o argumento, classificando as recusas como “infundadas” e determinando em fevereiro de 2025 que o banco cessasse a prática. PicPay e Mercado Pago, que lidera expansão de crédito junto com o Nubank, forneceram informações ao Ministério Público Federal que embasaram a investigação.

Precedente para o setor e investigação da Apple

A decisão unânime do tribunal ganha peso porque o Cade sinalizou que a medida pode ser estendida a outros emissores com condutas similares. Isso cria um precedente de interoperabilidade forçada: emissores de cartão de crédito não podem discriminar carteiras digitais de terceiros. O Cade já manteve a suspensão dos novos termos do WhatsApp em outra frente concorrencial, mostrando disposição para intervir em ecossistemas digitais.

Na mesma semana, o Cade abriu inquérito contra a Apple por restringir o acesso ao chip NFC do iPhone, o que inviabiliza o Pix por aproximação nos dispositivos iOS. O cenário regulatório aponta para uma tendência clara: o órgão antitruste está construindo jurisprudência de acesso aberto à infraestrutura de pagamentos, tanto de bancos quanto de big techs. Em paralelo, o CEO da Itaúsa reconheceu que o Itaú virou o jogo contra fintechs, o que levanta a questão sobre onde termina competitividade legítima e começa conduta anticompetitiva.

O que observar

A decisão testa um princípio central para o futuro dos pagamentos digitais no Brasil: grandes emissores podem escolher quais intermediários processam transações com seus cartões? Se a resposta do Cade for consistentemente “não”, carteiras digitais como PicPay, Mercado Pago e InfinitePay, que lançou carteira digital compartilhada, passariam a ter acesso garantido à infraestrutura de cartões.

Vale acompanhar dois desdobramentos: se o Itaú recorrerá em instâncias superiores (a multa de R$ 250 mil por dia por evento sugere que o Cade busca efetividade imediata) e se o inquérito contra a Apple seguirá trajetória similar. Se ambos avançarem, o Brasil estará construindo um arcabouço regulatório de interoperabilidade que vai além do que a maioria dos mercados possui hoje.

Fontes: Cade · TecMundo · IstoÉ Dinheiro

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