A Caixa Econômica Federal desistiu de comprar carteiras de crédito do BRB avaliadas em cerca de R$ 6 bilhões após realizar uma auditoria na instituição do Distrito Federal. O banco enviou ao TCU um ofício de apenas três parágrafos informando a desistência, sem explicar o que encontrou na análise, e classificou os detalhes como sigilosos.
QUEM O TCU CONSULTOU SOBRE O BRB
| Instituição |
Resposta |
| Caixa Econômica |
Fez auditoria, desistiu, sigilo sobre achados |
| Banco do Brasil |
Sem intenção de ajudar |
| BNDES |
Política veda apoio a bancos |
| Min. Fazenda |
Sem tratativas |
Fonte: CNN Brasil, TCU
O sigilo que o TCU questiona
O ministro Bruno Dantas deu prazo de cinco dias para que a Caixa apresente justificativa específica para a manutenção do sigilo sobre os achados da auditoria. O TCU entende que a resposta é de interesse público e não deveria ser tratada de forma diferente das demais manifestações de bancos públicos sobre o caso BRB.
A Caixa foi o único dos órgãos consultados pelo TCU que admitiu ter iniciado tratativas com o BRB. Banco do Brasil, BNDES e Ministério da Fazenda responderam que não havia intenção de ajudar a instituição. O Banco do Brasil já havia negado interesse em federalizar o BRB publicamente.
Resistência política e rombo bilionário
Fontes ouvidas pela CNN Brasil afirmam que a desistência da Caixa ocorreu após resistência do Palácio do Planalto em ajudar o governador Ibaneis Rocha (MDB). O BRB comprou ao menos R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, liquidado pelo BC, e enfrenta dificuldades financeiras que levaram ao cancelamento da assembleia de capitalização.
O BNDES afirmou que sua política operacional veda apoio a investimentos e gastos de qualquer natureza a bancos, caixas econômicas e agências de fomento. Com todos os potenciais compradores federais fora da mesa, o BRB depende exclusivamente do plano de capitalização com imóveis do GDF, que enfrenta questionamentos judiciais.
O que observar
O fato de a Caixa ter realizado auditoria e depois desistido sem explicação pública levanta dúvidas sobre o que foi encontrado nas carteiras do BRB. Se a auditoria revelou deterioração além do que os balanços públicos indicam, o rombo real pode ser maior do que os R$ 12 bilhões em ativos do Master originalmente reportados. O prazo de cinco dias dado pelo TCU para justificar o sigilo pode forçar a revelação de informações que alterem a percepção de mercado sobre a solvência do banco.
Com Banco do Brasil, BNDES e agora Caixa fora da mesa, o BRB não tem mais nenhuma opção de socorro federal. A capitalização depende integralmente de investidores privados e do GDF, numa combinação de ações desvalorizadas, balanço não publicado e imóveis sob disputa judicial.
Fontes: CNN Brasil • Let’s Money • Let’s Money