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CaixaBank transforma 4,6 mi de cartões em bancos de praça

CaixaBank reciclou 4,6 milhões de cartões vencidos, o equivalente a 23 toneladas de plástico, e transformou tudo em bancos de praça para vilas rurais.

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· 3 min

Atualizado em

O CaixaBank encontrou um destino inusitado para cartões vencidos: bancos de praça. Desde 2019, o banco espanhol já reciclou 4,6 milhões de cartões, o equivalente a 23 toneladas de plástico, e passou a transformar o material em mobiliário urbano instalado em vilas rurais atendidas pelo seu serviço de banco móvel.

CaixaBank: do cartão vencido ao banco de praça

Indicador Número
Cartões reciclados desde 2019 4,6 milhões
Plástico recuperado 23 toneladas
Primeiros bancos de praça 40
Vilas atendidas em Ávila 227
Moradores alcançados cerca de 34 mil
Usuários do banco móvel com +65 anos 70%

Dados do CaixaBank sobre reciclagem de cartões e atendimento móvel em Ávila. Fonte: CaixaBank

Como o cartão vencido vira banco de praça

A prática de coletar cartões expirados e reprocessá-los começou em 2019. O que muda agora é o cruzamento dessa iniciativa com o serviço de agências móveis, os chamados ofimóviles, que circulam por comunidades sem ponto fixo de atendimento. O primeiro lote de 40 bancos foi instalado a partir de plástico recuperado, e uma das peças já está no vilarejo de Serranillos.

O programa nasceu de um acordo firmado no início de 2025 entre o CaixaBank e a Deputação Provincial de Ávila, com foco em inclusão financeira. A cobertura chega a 227 vilas da província e alcança cerca de 34 mil moradores. Os bancos foram produzidos por um fornecedor certificado, seguindo diretrizes de acessibilidade, com encosto e apoios de braço.

“Esta iniciativa permite melhorar a experiência de espera dos usuários das agências móveis, levando em conta que 70% têm mais de 65 anos, ao mesmo tempo em que impulsiona a acessibilidade e promove ambientes com sensibilidade social”, disse Gerardo Cuartero, diretor territorial do CaixaBank em Castela e Leão, em tradução livre. O movimento se soma à agenda digital do banco, que recentemente abriu investimento em bitcoin via ETPs no app e lançou um agente de IA para vendas.

O peso do plástico nos pagamentos

O volume de plástico gerado pelos meios de pagamento não é um detalhe. No Brasil, um estudo estimou que foram emitidos cerca de 450 milhões de cartões de débito e crédito e fabricadas 95 milhões de maquininhas em dez anos, o equivalente a mais de 15 mil toneladas de plástico. O levantamento “Dinheiro Sem Plástico”, da consultoria O Mundo Que Queremos, foi divulgado em 2023.

Enquanto a reciclagem tenta dar destino ao material já em circulação, a migração para pagamentos por aproximação e carteiras digitais aponta para outra frente: reduzir a emissão de plástico na origem. Iniciativas de mobiliário a partir de cartões são simbólicas diante desse estoque, mas ajudam a colocar o descarte na conversa de sustentabilidade do setor.

O que observar

A reciclagem de cartões é um problema de escala para toda a indústria de pagamentos, não de um emissor isolado. Com centenas de milhões de plásticos em circulação e taxa de reciclagem baixa, a pergunta é se bandeiras, emissores e adquirentes vão tratar o descarte como custo de compliance ambiental ou como diferencial de marca. Vale acompanhar se a migração para pagamentos por aproximação e carteiras digitais, somada ao avanço do Pix, reduz de fato a emissão de plástico ou apenas desloca o problema para maquininhas e dispositivos.

Há ainda uma segunda camada. Em regiões sem agência física, o atendimento móvel ocasional vira também um ativo de relacionamento, e qualificar a espera com mobiliário próprio é uma forma barata de reforçar presença. Se esse tipo de gesto se traduz em retenção ou reputação mensurável, ou fica só no campo institucional, é terreno que ainda está em aberto.

Fontes: FinextraCaixaBankExame

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