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Campos Neto admite erro ao prever tokenização mais rápida

No Zetta Summit 2026, o ex-presidente do BC afirmou que a tokenização só acelerou depois de mudanças regulatórias impulsionadas pelos Estados Unidos.

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Roberto Campos Neto, chefe global de políticas públicas do Nubank e ex-presidente do Banco Central (BC), diz que errou ao imaginar uma economia brasileira bem mais tokenizada já em 2023 ou 2024. A avaliação saiu no Zetta Summit 2026, em Brasília, em 1º de setembro de 2026.

O que Campos Neto disse no Zetta Summit 2026

Tema Avaliação dele
Medidas do BC contra fraudes no Pix “As medidas estão sendo muito boas no sentido de defender”
Tokenização da economia Achava que em 2023 ou 2024 haveria “um bom pedaço da economia tokenizada”, e isso não ocorreu
Segurança do sistema O Pix é “inviolável”, segundo ele
Nova unidade monetária mundial Talvez seja o token, avalia

Falas de Roberto Campos Neto no Zetta Summit 2026, em Brasília. Fonte: Valor Econômico

A tokenização não chegou no ritmo que ele previa

O reconhecimento veio com data e com a leitura dele sobre o que destravou o movimento. “Eu achava que em 2023 ou 2024 a gente ia estar com um bom pedaço da economia tokenizada, e isso não ocorreu. A gente vê que a tokenização só acelerou recentemente depois de mudanças regulatórias muito impulsionadas pelos Estados Unidos”, disse Campos Neto.

Por aqui, quem sustenta a pauta é o próprio mercado. O piloto do Drex está sem nova fase desde novembro de 2025, e entidades como Anbima e B3 tocam frentes próprias, de fundos e debêntures a uma stablecoin de real ainda em desenvolvimento.

Quem participou das primeiras etapas do piloto já descrevia limites. Em entrevista ao podcast Let’s Money, em outubro de 2025, André Carneiro, CEO da BBChain, resumiu assim a etapa inicial: “Na primeira fase, para mim, ela foi PPT para a maioria do mercado, que é a história do PowerPoint”. A segunda fase do piloto se encerraria em novembro de 2025.

Olhando adiante, ele ligou a agenda de tokenização à busca por outra unidade de valor. “Eu acho que isso está muito ligado à programabilidade do dinheiro, porque se algum dia a gente achar que vai ter uma interseção verdadeira entre IA, tokenização, dados, open finance e pagamentos, será necessário ter uma moeda programável para atingir isso”, afirmou.

O ciclo entre ataque e defesa no Pix

No mesmo evento, ele elogiou o esforço do regulador para conter fraudes no sistema de pagamentos instantâneos. Na leitura dele, a migração para o digital tirou da sombra o crime que antes andava em “malas de dinheiro”. “É óbvio que esses trabalhos têm ciclos entre a hora que tem que ir para o ataque e colocar mais produtos e outra hora que tem voltar um pouco mais para a defesa e defender o que está acontecendo”, afirmou.

“Eu acho que o Banco Central foi correto de saber a hora de atacar e saber a hora de defender. As medidas estão sendo muito boas no sentido de defender”, acrescentou. A frente de defesa ganhou peso nos últimos meses: o prazo para quem recebeu um Pix contestar a devolução subiu de 30 para 80 dias em 1º de setembro de 2026, e o BC quer construir um índice centralizado de probabilidade de fraude para cada transação. Ao mesmo tempo, ele foi além do elogio e chamou o sistema do Pix de “inviolável”, num volume de transações que classificou como elevado.

O que observar

A fala coloca lado a lado duas velocidades: a do discurso regulatório sobre tokenização e a do que de fato circula tokenizado. Vale acompanhar se o gatilho que ele aponta, vindo de fora do país, aparece em regra local com data marcada ou continua em piloto sem fase nova. A pergunta prática é quem paga a infraestrutura enquanto o marco não fecha, porque entidades de mercado e infraestruturas de registro que seguem tocando as frentes sozinhas tendem a consolidar padrões antes de qualquer decisão do regulador. No Pix, o teste do ciclo de defesa deve aparecer nos volumes de contestação e nas travas aplicadas a contas suspeitas, não no tom das declarações.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyLet’s Money Podcast

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