74% dos portadores de cartão de crédito nos Estados Unidos preferem emissores que ofereçam planos de parcelamento integrados, e a infraestrutura legada dos emissores, projetada para saldos rotativos, é o principal obstáculo para atender à demanda, aponta estudo da PYMNTS Intelligence com a Paymentology publicado em março de 2026.
Infraestrutura de crédito: principais dados
Indicador
Dado
Preferem cartão com parcelamento
74% dos titulares
Americanos com cartão de crédito
81% (saldo médio: US$ 3.564)
Cartões em infra unificada (até 2030)
45% do total
Emissores que citam performance/rentabilidade
67%
Crescimento de cartões em plataformas modernas (2025–2030)
+108% (756 mi → 1,6 bi)
Dados do relatório PYMNTS Intelligence e Paymentology, março de 2026. Fonte: PYMNTS
Da preferência do consumidor à pressão sobre a infraestrutura
O ponto de partida do estudo é comportamental: entre os 81% dos americanos que possuem cartão de crédito ou de loja, o saldo médio mensal atingiu US$ 3.564 em novembro, e a maioria espera mais do que um instrumento de crédito rotativo. A demanda por parcelamento por transação, limites dinâmicos e alertas em tempo real está forçando os emissores a rever o que está por baixo do produto.
O problema é que a maioria dos sistemas existentes foi construída para outra lógica. “Muitos emissores tentaram adicionar novos recursos de crédito a plataformas existentes voltadas para débito, mas essa abordagem geralmente resulta em experiências fragmentadas para o cliente e ciclos de desenvolvimento lentos”, aponta o relatório.
O diagnóstico se alinha com a movimentação do mercado: a integração do BNPL com agentes de IA já sinalizava que o parcelamento deixou de ser um produto separado para se tornar uma camada nativa de qualquer experiência de crédito. A infraestrutura orientada a débito cria atrito justamente onde o consumidor espera fluidez: parcelamento por transação exige decisão em tempo real, enquanto sistemas legados operam em processamento em lote.
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Plataformas unificadas como resposta da indústria
A alternativa que o setor está adotando são plataformas que combinam emissão de cartões e gestão de crédito em uma única arquitetura. Esses sistemas permitem configurar preços, lógica de reembolso e características do produto sem ciclos longos de desenvolvimento personalizado. Os números apontam para uma mudança estrutural: 45% de todos os cartões de crédito devem ser emitidos sobre infraestrutura unificada até o fim da década, e 67% dos emissores de alto desempenho citaram métricas de performance e rentabilidade como características definidoras das melhores plataformas.
A Juniper Research projeta que os cartões emitidos via plataformas modernas crescerão 108% entre 2025 e 2030, de 756 milhões para quase 1,6 bilhão em todo o mundo. O mesmo padrão aparece no crédito corporativo: a IA generativa está forçando a modernização da infraestrutura bancária na mesma direção, com exigências de configuração em tempo real que sistemas legados não conseguem atender.
O que observar
A divisão entre emissores com infraestrutura moderna e emissores presos em sistemas legados tende a se aprofundar na segunda metade da década. Os 45% projetados para plataformas unificadas até 2030 implicam que 55% ainda estarão em sistemas rígidos, e cada ciclo de lançamento de produto perdido por causa de restrições técnicas cria uma desvantagem competitiva que se acumula. Para emissores menores, a janela para modernização é mais estreita do que parece: os maiores conseguem absorver os custos de migração; os menores precisam de parceiros de infraestrutura para não ficarem para trás.
O segundo vetor a acompanhar é a convergência entre parcelamento e decisão de crédito em tempo real. O que o consumidor chama de “flexibilidade” é, tecnicamente, a capacidade do sistema de tomar uma decisão de crédito por transação em milissegundos. Emissores que conseguirem resolver esse problema no nível de infraestrutura, e não de produto, estarão construindo uma vantagem que vai além do portfólio de cartões e pode se estender a qualquer ponto de pagamento onde o crédito seja relevante.