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Cartões movimentam R$ 2,3 tri e crédito cresce 12%

Volume com cartões somou R$ 2,3 trilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 8%. O crédito subiu 12% e o débito recuou 1,8%, segundo a Abecs.

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Foto: Reprodução

O setor de cartões encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$ 2,3 trilhões em volume transacionado no Brasil, 8% acima do que havia registrado um ano antes, segundo a Abecs. O crédito sustentou o avanço, com R$ 1,7 trilhão e alta de 12%, enquanto o débito recuou e o pré-pago ficou perto da estabilidade.

Cartões no 1º semestre de 2026

Modalidade Volume Variação anual
Total R$ 2,3 trilhões +8%
Crédito R$ 1,7 trilhão +12%
Débito R$ 481 bilhões -1,8%
Pré-pago R$ 191,1 bilhões +0,5%

Volume transacionado com cartões no primeiro semestre de 2026, dados da Abecs. Fonte: Valor Econômico

Por que o crédito puxou os cartões no semestre

A conta do semestre se resolve numa modalidade só. O crédito somou R$ 1,7 trilhão entre janeiro e junho de 2026, puxado por três motores: compras divididas em prestações sem cobrança de juros, avanço do varejo digital e difusão do pagamento por aproximação. O débito encolheu 1,8% e ficou em R$ 481 bilhões. O pré-pago subiu 0,5%, para R$ 191,1 bilhões.

O pagamento por aproximação mostra a escala dessa mudança de hábito: a modalidade movimentou R$ 1 trilhão no semestre, avanço de 18,5%, e respondeu por 76,2% das transações presenciais com cartão em junho de 2026, segundo o balanço do setor. Ainda assim, o ritmo geral ficou abaixo do que a entidade projetou em janeiro de 2026, quando estimou expansão entre 9,5% e 11,5% no ano e a primeira marca anual de R$ 5 trilhões. No segundo trimestre o volume foi de R$ 1,2 trilhão, depois de R$ 1,1 trilhão no primeiro.

O valor médio de cada compra separa os dois trilhos. Pelos números da associação, o Pix roda perto de R$ 250 por transação, o crédito à vista passa de R$ 450 e a compra parcelada supera R$ 1.000. “O Pix não substituiu o uso de cartão de crédito, que continua crescendo. Até mesmo o impacto no débito não é tão significativo. Cada um tem suas peculiaridades, vantagens e pontos negativos”, afirma Ivo Mósca, diretor-executivo de inovação, produtos e serviços bancários da Febraban.

Cliente empresarial e compra por agente entram no radar

A frente seguinte das bandeiras está no caixa das empresas. A Mastercard trata o segmento entre companhias como uma de suas principais avenidas de crescimento, num mercado em que pessoas jurídicas respondem por apenas 9% do que passa pelos cartões no país. A mesma lógica de reposicionamento chegou ao débito. “Nos tornamos provedores de soluções para o varejista e investimos conscientemente no cartão de débito ao lançar o Débito Pro”, diz Eduardo Arnoni, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard Brasil.

A automação da compra é o segundo eixo. A bandeira desenvolveu o Agent Pay, apoiado em credenciais digitais dinâmicas batizadas de Agentic Tokens, para que agentes de inteligência artificial paguem em nome do consumidor. A Elo testa uma jornada de compra conversacional completa e já roda um piloto de compra por agente de IA com a Decolar. A companhia soma 34 milhões de cartões ativos e 42 emissores, e registrou R$ 1,6 bilhão de receita líquida em 2025.

Na Visa, o argumento está na infraestrutura de segurança. “Aplicamos mais de US$ 13 bilhões nos últimos cinco anos em infraestrutura para proteger o ecossistema”, diz Frederico Succi, vice-presidente de produtos e inovação da Visa do Brasil. Para ele, a escolha do consumidor hoje passa por experiência digital, segurança e tecnologias como tokenização, biometria e Click to Pay, recurso que a bandeira levou ao débito na primeira compra feita com Banco do Brasil e Stone. No comércio agêntico, a empresa organiza o trabalho sob as iniciativas Visa Intelligent Commerce e Visa Agentic Ready.

O que observar

O semestre sugere dois movimentos em velocidades distintas. A compra à vista de baixo valor tende a migrar para o trilho instantâneo, enquanto o parcelamento segue ancorado no cartão, o que mantém o crédito como o motor de expansão do setor. Vale acompanhar se a desaceleração do segundo trimestre se estende ao segundo semestre, e o que acontece com a modalidade de débito, que já encolhe em base anual mesmo com terminais de aproximação instalados em quase todo o varejo.

A segunda pergunta é onde o volume novo vai aparecer. Se a fatia de um dígito ocupada por empresas começar a subir, o teste será a capacidade de emissores e credenciadoras de vender limite e controle de gasto para o financeiro das companhias, e não apenas benefício para o funcionário. Na compra feita por agente de inteligência artificial, a régua que separa piloto de escala tende a ser a definição de quem responde por erro e por fraude. Enquanto esse desenho não estiver fechado, a adoção tende a ficar restrita a jornadas controladas.

Fontes: Valor EconômicoPanorama AbecsAbecsDiário do Comércio

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