No segundo trimestre de 2026, o dinheiro que passou pelos cartões no Brasil equivaleu a 34,7% do PIB nacional, 0,2 ponto percentual acima do mesmo período de 2025. Frente ao consumo das famílias brasileiras, o volume da indústria correspondeu a 56,3%, avanço de 0,8 ponto, aponta levantamento da Abecs.
Cartões no 2º trimestre de 2026, em comparação com o PIB
| Recorte |
Volume no trimestre |
Equivalente ao PIB |
Equivalente ao consumo das famílias |
| Crédito, débito e pré-pago |
R$ 1,2 trilhão |
34,7% |
56,3% |
| Somente cartão de crédito |
R$ 846,3 bilhões |
24,7% |
40,1% |
Levantamento da Abecs que cruza dados da indústria de cartões com as informações do PIB divulgadas pelo IBGE. Fonte: Valor Econômico
O que a conta com o PIB está medindo
A comparação coloca lado a lado duas grandezas de naturezas distintas. Uma é o total que passou pelas maquininhas e pelas compras online ao longo de três meses. A outra é o Produto Interno Bruto, que mede o valor adicionado pela economia no mesmo intervalo. O resultado funciona como régua de escala do uso do cartão dentro da atividade econômica, e não como fatia da indústria de meios de pagamento dentro do produto nacional.
As duas bases vieram do IBGE, que divulgou os números do trimestre em 1º de setembro. O produto somou R$ 3.425,7 bilhões no período, arredondados para R$ 3,4 trilhões, e o gasto de consumo das famílias ficou em R$ 2,1 trilhões. É sobre esse par de números que a associação do setor de meios eletrônicos de pagamento aplicou o volume movimentado pela própria indústria.
O peso do cartão de crédito na comparação
O cartão de crédito, sozinho, respondeu por R$ 846,3 bilhões. Diante do PIB, esse volume equivale a 24,7%. Diante do que as famílias consumiram, a 40,1%. No balanço trimestral divulgado em agosto, os cartões movimentaram R$ 1,2 trilhão entre abril e junho, com as três modalidades somadas e alta anual de 7,7%.
No acumulado de janeiro a junho, a indústria chegou a R$ 2,3 trilhões, com o crédito em alta de 12,1%. Segundo a associação, a modalidade liderou tanto em volume quanto em crescimento no semestre, com R$ 1,7 trilhão movimentados.
“Os dados reforçam o papel dos meios eletrônicos de pagamento na atividade econômica brasileira e evidenciam a consolidação do cartão de crédito como importante instrumento de acesso ao consumo pelas famílias e formalização de estabelecimentos comerciais”, disse Ricardo Vieira, vice-presidente executivo da Abecs, em nota.
O que observar
A régua de escala depende de duas séries que podem andar em ritmos diferentes. Se o volume transacionado seguir crescendo perto de 8% ao ano enquanto o gasto das famílias avança menos, a razão entre os dois sobe sem que tenha havido ganho equivalente de poder de compra. Nesse cenário, o indicador passa a captar mais a troca de meio de pagamento do que a expansão do consumo em si.
Vale acompanhar de onde vem o avanço nos próximos trimestres. Se a alta continuar concentrada na modalidade a crédito, a pergunta é quanto do movimento vem de acesso a parcelamento e quanto vem da migração de outros meios de pagamento para o cartão. O recorte contra o gasto doméstico tende a responder mais rápido a essa mudança do que o recorte contra o produto nacional, porque acompanha só a ponta final da despesa.
Fontes: Valor Econômico • Abecs • IBGE