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PixInternacional · BC

Casa Branca alerta que Pix prejudica Visa e Mastercard

Relatório anual de comércio dos EUA cita tratamento preferencial do BC ao sistema de pagamentos instantâneo e investigação Section 301 segue em curso.

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· 3 min

Atualizado em

A Casa Branca voltou a citar o Pix como barreira a empresas americanas de pagamento. O Relatório de Estimativa Nacional do Comércio de 2026, divulgado em 1º de abril pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), diz que stakeholders americanos temem que o Banco Central dê “tratamento preferencial” ao sistema, prejudicando fornecedores como Visa e Mastercard.

Pix na mira dos EUA: cronologia

Data Evento
Jul/2025 USTR abre investigação Section 301 contra o Brasil
Set/2025 Audiência pública com empresas dos EUA e representantes do Brasil
Out/2025 Consulta pública para o relatório NTE 2026
Abr/2026 NTE 2026 publicado com Pix entre as barreiras comerciais

Fonte: USTR

O que o relatório diz sobre pagamentos

“O Banco Central criou e regula o Pix; stakeholders dos EUA temem que o BC dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos”, diz o documento. O relatório destaca que o uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500 mil contas, e que o Brasil “parece se envolver em práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo favorecer serviços desenvolvidos pelo governo”.

A queixa central é que o BC acumula os papéis de operador e regulador do Pix, criando o que entidades como o Information Technology Industry Council chamam de “assimetria competitiva”. Bandeiras americanas não podem usar suas credenciais para iniciar pagamentos via Pix. Do lado brasileiro, o BC sustenta que o Pix é infraestrutura pública e que todas as plataformas podem operar no país. Em entrevista ao podcast Let’s Money na Money20/20 de 2024, Thiago Alvarez, fundador do GuiaBolso, observou que “o Pix substitui mais débito e transferências do que crédito” e que o MDR (taxa cobrada dos varejistas) é “tema quente nos EUA também”.

O NTE 2026 tem 534 páginas, oito dedicadas ao Brasil. Além do Pix, cita tarifas altas sobre importações, o PL dos Mercados Digitais (com multas de até 20% do faturamento global), a regulamentação da LGPD, mineração ilegal de ouro (28% da atividade total) e extração ilegal de madeira (50% do total colhido, 90% na Amazônia). A investigação Section 301, aberta em julho de 2025, foi a primeira do revelou mandato de Trump e cobre também propriedade intelectual, combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol. O Pix segue ampliando funcionalidades no Brasil, com Pix Automático em conta-salário previsto para julho.

O que observar

O relatório NTE é um instrumento de pressão diplomática, não uma sanção imediata. Mas a persistência do Pix como item de pauta entre duas administrações consecutivas transforma a questão de episódio comercial em fricção estrutural. Se a investigação Section 301 concluir que há práticas discriminatórias, o USTR pode aplicar tarifas retaliatórias sobre produtos brasileiros, num cenário em que o Brasil já enfrenta tarifas elevadas sobre aço, alumínio e produtos industrializados.

Para o ecossistema de pagamentos, a tensão expõe um dilema regulatório que outros países com sistemas de pagamento instantâneo operados por bancos centrais, como Índia (UPI) e México (CoDi), também enfrentam: como equilibrar a missão de inclusão financeira com acesso equitativo a competidores estrangeiros. Se o BC ceder em exclusividades do Pix para evitar retaliação comercial, o impacto recai sobre fintechs e instituições menores que construíram modelos de negócio sobre a infraestrutura pública; se mantiver a posição, o risco é de escalada tarifária.

Fontes: G1/ValorUSTRSection 301/USTRLet’s Money PodcastLet’s Money

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