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Rede CB mira Visa e Mastercard na corrida europeia

Rede francesa CB quer retomar share de Visa e Mastercard na Europa, em movimento paralelo à trajetória do Pix no Brasil, com 30 candidatos à rede.

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Shutterstock

A rede francesa CB quer retomar share de Visa e Mastercard e se consolidar como sistema de pagamentos soberano da Europa, em movimento paralelo à trajetória do Pix no Brasil. Em cinco anos, a participação do CB nos pagamentos domésticos franceses caiu de mais de 90% para 75%, mas começou a reverter com cerca de 30 candidatos a entrar na rede.

Alternativas europeias às bandeiras americanas

Sistema Status Escopo
CB (França) Retomando share doméstico Pagamentos com cartão (co-badging)
Wero (EPI) 48,5 mi de membros em BE, FR e DE P2P, expansão para online e varejo em 2027
Euro digital (BCE) Em desenho CBDC de varejo

Sistemas europeus citados na reportagem. Fonte: PYMNTS

CB retoma share com apelo de soberania

Criado nos anos 1980 com apoio dos maiores bancos franceses, o CB opera como entidade sem fins lucrativos e permite que cartões locais rodem em modelo de co-badging, ou seja, com a bandeira nacional e a internacional na mesma emissão. Nos últimos cinco anos, a rede perdeu share para Visa e Mastercard com acordos exclusivos e incentivos que permitiam às fintechs oferecer cartões gratuitos. O movimento começou a se inverter no pós-invasão da Ucrânia, segundo a direção.

“O CB voltou a ser muito atraente”, disse Philippe Laulanie, diretor-geral do CB, em entrevista ao Financial Times. Ele afirmou que “as tensões atuais com os EUA sob Donald Trump reforçaram a ideia de que alguns serviços podem ser cortados ou sujeitos a condições”. O presidente francês Emmanuel Macron classificou o CB como “último quilômetro da nossa soberania econômica”.

Brasil já resolveu a equação com o Pix

A discussão europeia ecoa um caminho que o Brasil já percorreu. O Pix, lançado em 2020 pelo Banco Central, tornou-se meio de pagamento dominante em P2P e avança em varejo com novos recursos. O Pix Internacional já mira a América Latina com pagamento em segundos, e a PagBrasil obteve aval do BC para operar câmbio no Pix Internacional. No checkout do varejo, o Pix Biometria disputa espaço com o cartão, apertando ainda mais as bandeiras na casa delas.

Na Europa, não há equivalente cross-border. A rival europeia de Apple Pay, Wero, foi lançada em 2024 pela European Payment Initiatives e tinha 48,5 milhões de membros em Bélgica, França e Alemanha em fevereiro, com planos para chegar a pagamentos online e em loja física até 2027. O Banco Central Europeu defende o euro digital como forma de proteger “nossa liberdade, autonomia e segurança”, nas palavras do membro da diretoria Piero Cipollone. Mas bancos privados da EPI argumentam que o design atual do euro digital compete com soluções privadas sem oferecer valor adicional claro ao consumidor.

O que observar

O caso do CB mostra que a fragmentação das alternativas europeias, dividida entre bandeira nacional em cartões, carteira privada para P2P e CBDC em desenho, dificulta o efeito de rede que fez o Pix emplacar no Brasil em três anos. Vale acompanhar se a Comissão Europeia e o BCE vão coordenar uma aposta única ou manter trilhas paralelas, e se o co-badging francês será replicado por redes domésticas de outros países para ganhar escala agregada.

Do lado das bandeiras internacionais, a pressão por condicionamento geopolítico dos serviços é tema novo no pricing de contratos com instituições públicas e bancos de países aliados ou rivais dos EUA. A tendência é de contratos com cláusula de contingência e replicação local de trilhos de autorização, o que deve encarecer a margem das bandeiras no curto prazo e abrir espaço para redes locais em mercados onde a confiança na infraestrutura americana caiu.

Fontes: PYMNTSLet’s Money: Pix Internacional

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