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CCJ aprova autonomia do BC e blinda Pix na Constituição

CCJ do Senado aprovou a PEC da autonomia do Banco Central, que muda a natureza jurídica da instituição e inscreve a operação do Pix na Constituição.

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· 3 min

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gustavomellossa / Shutterstock.com

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou na quarta-feira (10) a PEC da autonomia do Banco Central. O texto vai além do orçamento: muda a natureza jurídica da autoridade monetária e inscreve a operação do Pix na Constituição. O substitutivo segue agora para o plenário.

O que o substitutivo aprovado na CCJ define

Ponto O que prevê
Natureza jurídica De “autarquia de natureza especial” para “entidade pública de natureza especial”
Pix Competência exclusiva do BC, vedada transferência, gratuidade a pessoas físicas
Autonomia Administrativa, orçamentária e financeira, sem subordinação a ministério
Próximo passo Plenário do Senado, em dois turnos

Pontos do substitutivo aprovado na CCJ. Fonte: Senado Notícias

O que muda com o texto aprovado

O relatório de Plínio Valério (PSDB-AM) trata da PEC 65/2023, que dá ao BC autonomia administrativa, orçamentária e financeira, sem subordinação hierárquica a ministério. A mudança mais sensível é de natureza jurídica: a instituição deixaria de ser “autarquia de natureza especial” para se tornar “entidade pública de natureza especial”. O relator rejeitou as emendas apresentadas na comissão, incluindo a do líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que pedia maior controle sobre o orçamento da autoridade monetária.

O substitutivo também levou o Pix para o centro do debate constitucional. O texto atribui ao BC competência exclusiva para regular e operar o sistema, veda a transferência do arranjo a qualquer entidade pública ou privada e garante a gratuidade para pessoas físicas. O pano de fundo é o aperto recente nas contas da instituição: em maio, o governo cortou 18,8% do orçamento do BC, episódio que reforçou o argumento dos defensores da autonomia financeira. Galípolo chegou a estimar que a autonomia geraria ganho fiscal ao governo, enquanto ex-diretores apontam que, sem orçamento livre, a autonomia segue parcial.

Por que os servidores do BC se dividiram

Após a aprovação, entidades ligadas ao corpo técnico do BC divulgaram manifestações em direções diferentes. A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB) tratou o avanço como “mais um passo decisivo rumo ao fortalecimento institucional do Banco Central”. “Quando fortalecemos institucionalmente o Banco Central, quem ganha é toda a sociedade”, disse Thiago Cavalcanti, presidente da entidade. A ANBCB citou levantamento próprio segundo o qual 95% dos servidores ativos consultados apoiaram a proposta.

Já o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), na seccional do Distrito Federal, preferiu a linha do governo. A entidade defendeu a Emenda 26, de Jaques Wagner, que “mantém o BC como autarquia de direito público e soluciona os problemas de orçamento sem colocar o Banco Central em risco de captura por interesses privados e externos”. O sindicato ressaltou que a maioria dos servidores é contra a mudança do regime jurídico previsto no texto aprovado, posição alinhada à carta em que servidores pedem a preservação do Pix.

O que observar

A disputa deixou de ser sobre ter ou não autonomia e passou a ser sobre qual modelo jurídico. Vale acompanhar como a discussão entre “entidade pública de natureza especial” e “autarquia de direito público” será reaberta no plenário, onde a PEC exige votação em dois turnos. O ponto sensível para o Tesouro é fiscal: definir quem arca com eventuais perdas da autoridade monetária e com qual previsibilidade orçamentária.

A constitucionalização do Pix abre um precedente relevante para a infraestrutura pública de pagamentos. Se o dispositivo avançar, blindar um sistema operacional contra transferência e tarifação por meio da Constituição muda o terreno regulatório para todo o ecossistema. A pergunta que fica é se reguladores e operadores vão tratar esse desenho como teto de estabilidade ou como amarra à evolução do arranjo nos próximos ciclos.

Fontes: Valor EconômicoSenado NotíciasPoder360Let’s Money

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