A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta segunda-feira (20/4) que o BRB “não será vendido nem liquidado” e que a instituição já superou o “momento mais crítico” da crise aberta pelas operações com o Banco Master. A declaração, feita ao canal Amado Mundo e reportada pelo Valor Econômico, vem quatro dias depois da prisão do ex-presidente do banco público Paulo Henrique Costa na Operação Compliance Zero.
O que a governadora do DF afirmou sobre o BRB
| Item |
Declaração |
| Futuro do banco |
Não será vendido nem liquidado |
| Momento da crise |
“Já saímos do momento mais crítico” |
| Interlocutores |
BC, FGC e sistema financeiro |
| Plano para os ativos |
FIDC com papéis herdados do Master |
| Ação judicial |
Pedido ao STF para reservar valores |
| Problemas |
Liquidez resolvida, capital em resolução |
Declarações da governadora do DF em entrevista. Fonte: Valor Econômico
Mensagem para o mercado
“O banco não será vendido, o banco não será liquidado. O BRB é um banco tão estratégico e tão forte que virou talvez a joia da coroa desejada por vários banqueiros do Brasil”, afirmou Leão. A governadora disse que o banco foi “vítima” da operação com o Master e que “a gente pudesse trazer a marca de que o controlador tem pulso, que o controlador não vai deixar acontecer nada com o banco”. A fala procura neutralizar a pressão pública que aumentou com a nova fase da Operação Compliance Zero.
A governadora assumiu o cargo após a saída de Ibaneis Rocha no fim de março e afirmou nunca ter sido consultada sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB, vetada pelo BC. Segundo ela, havia “muita dificuldade de relacionamento pessoal” com o ex-presidente Paulo Henrique Costa, preso na semana passada sob acusação de receber R$ 146 milhões em propina para facilitar as operações com o Master, segundo a Gazeta do Povo.
FIDC de R$ 15 bi e ação no STF
O plano citado por Leão para limpar o balanço passa pelo FIDC com os ativos herdados do Master. Um fundo de investimento apresentou proposta de R$ 15 bilhões pela carteira, com R$ 4 bilhões à vista e o restante estruturado em instrumentos atrelados aos próprios papéis, segundo a Agência Brasil. O banco aplicou deságio de 15% sobre R$ 12,7 bilhões em carteiras herdadas e acionou a Justiça para ampliar o ressarcimento.
“Estamos com várias ações judiciais e, na medida que elas forem sendo recebidas e deferidas, darão uma condição financeira diferente para o banco. Resolvemos o problema de liquidez de curto prazo, estamos resolvendo o problema de capital também”, disse Leão. O BRB já tinha acionado o Supremo Tribunal Federal para reservar valores da delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, e aprovou aumento de capital de R$ 8,8 bilhões em assembleia. O FGC, por sua vez, condicionou qualquer ajuda adicional ao reconhecimento integral das perdas.
O que observar
A declaração de descarte de venda ou liquidação tende a ser lida pelo mercado como sinal de que o controlador quer segurar o banco público sob sua própria gestão. A prova prática virá nos próximos balanços: nível de cobertura das carteiras recebidas do Master, execução do FIDC e evolução do índice de capital. O FGC já sinalizou que ajuda adicional depende do reconhecimento integral das perdas, o que tende a pressionar o resultado do BRB no curto prazo.
No campo político, a prisão do ex-presidente deixa em aberto se outras figuras do banco e do governo anterior serão alcançadas pela investigação. No plano regulatório, a resolução do caso pode influenciar como o BC trata pleitos futuros de bancos estaduais e o desenho de mecanismos de saneamento de carteiras problemáticas em instituições públicas. O desfecho também serve de teste para o FGC, que calibra a exposição do próprio fundo ao caso Master.
Fontes: Valor Econômico • Agência Brasil • Gazeta do Povo • Let’s Money: PF prende ex-presidente do BRB • Let’s Money: BRB mira R$ 15 bi com FIDC • Let’s Money: BRB aciona STF • Let’s Money: BRB aumenta capital em R$ 8,8 bi • Let’s Money: FGC condiciona ajuda ao BRB