A registradora de recebíveis Cerc afirma que já adaptou seus sistemas e tem a infraestrutura pronta para simular as operações do boleto dinâmico. A nova modalidade vai deixar que o credor e o banco recebedor de um pagamento sejam trocados depois da emissão, sem derrubar o título original.
A régua técnica que a Cerc leva aos testes
| Indicador |
Valor |
| Cenários simulados na Duplicata Escritural |
mais de 600 |
| Transações processadas por dia |
cerca de 500 milhões |
| Recebíveis registrados |
mais de R$ 5 trilhões |
Infraestrutura da Cerc no ciclo de testes da Duplicata Escritural, encerrado em maio de 2026. Fonte: ADNews
O que muda com o boleto dinâmico
A modalidade existe desde a Resolução BCB nº 443, de 2024, que passou a valer em fevereiro de 2025. Cada boleto dinâmico nasce amarrado a um título de crédito escritural guardado numa registradora credenciada pelo Banco Central. É essa amarração que libera a troca de destinatário: o dono do crédito e a conta que fica com o dinheiro mudam sem que o documento precise ser refeito, ao contrário do boleto comum, que fica congelado assim que sai.
O ganho aparece sobretudo para quem antecipa recebíveis: se o direito de cobrar é vendido a outra empresa, o boleto original segue valendo e manda os recursos para o novo credor, sem parar a operação. É o que liga o instrumento ao ecossistema da duplicata escritural, a versão digital e registrada da antiga duplicata em papel.
Onde o cronograma está
A adequação anunciada pela Cerc é uma etapa preparatória, não o início da operação. O Ciclo de Testes Complementares pedido pelo Banco Central ainda não começou, e a companhia diz estar pronta para simular as trocas assim que a governança do arranjo liberar. Em maio de 2026, a companhia já havia fechado uma bateria de testes conjuntos da duplicata escritural, com mais de 600 cenários rodados sobre a mesma infraestrutura de larga escala que agora entra em campo no boleto dinâmico.
“Os resultados demonstram que o sistema atingiu um nível de maturidade técnica compatível com a operação em larga escala”, afirmou Fernando Fontes, cofundador e CEO da Cerc, sobre aquele ciclo. O boleto dinâmico caminha junto com a duplicata escritural, instrumento de crédito cuja estreia o Let’s Money acompanha, e a expectativa é que os dois passem a operar de forma integrada.
O que observar
O gargalo dos próximos meses é menos técnico e mais de coordenação. O boleto dinâmico só entra em operação quando as registradoras e o sistema de interoperabilidade estiverem homologados em conjunto, e a duração dos ciclos de teste ainda não é previsível. Vale acompanhar se a prontidão declarada por um prestador de infraestrutura acelera o calendário do arranjo ou se o passo é ditado pelo elo mais lento da cadeia.
Para quem vive de antecipação de recebíveis, a pergunta prática é quando a cessão de crédito deixará de exigir reemissão de boleto. Se o modelo se confirmar no ritmo previsto, o efeito recai sobre securitizadoras, fundos de recebíveis e prestadores de meios de pagamento, que precisariam redesenhar fluxos de conciliação antes de qualquer adesão em escala.
Fontes: Valor Econômico • ADNews • TecnoSpeed • Grafeno • Let’s Money