A Chift, startup europeia que constrói uma camada de conectividade financeira para a era da inteligência artificial, captou € 10,5 milhões em uma rodada Série A liderada pela BlackFin Capital Partners. Sediada em Bruxelas, a companhia recebeu o cheque com a participação dos investidores existentes Entourage, Shapers, Seeder Fund e Wallonie Entreprendre, sobre um seed de € 2,3 milhões levantado em 2024.
A rodada da Chift em números
| Indicador |
Dado |
| Rodada Série A |
€ 10,5 milhões |
| Seed anterior (2024) |
€ 2,3 milhões |
| Sistemas conectados |
Mais de 120 |
| Categorias cobertas |
Contabilidade, faturamento, ponto de venda, e-commerce, pagamentos e gestão de propriedades |
Fonte: Finextra
O problema que a Chift diz resolver
O argumento da empresa é que todo negócio roda sobre uma pilha de programas, contabilidade, faturamento, pagamentos e vendas on-line, que precisam conversar entre si, mas cuja conexão continua complexa e fragmentada. Para as empresas de software que atendem esses negócios, construir e manter essas ligações é lento e caro, e o trabalho tem de ser refeito sistema por sistema, país por país.
A proposta da Chift é eliminar esse esforço. Uma empresa de software integra uma única vez com a API (interface de programação de aplicações) unificada da companhia e passa a se conectar a mais de 120 sistemas financeiros em seis categorias: contabilidade, faturamento, POS (ponto de venda), e-commerce, pagamentos e gestão de propriedades. A tese é semelhante à de outras apostas em infraestrutura financeira voltada a agentes de IA, que ganham utilidade só quando alcançam os dados que já vivem nos softwares das empresas.
Para onde vai o dinheiro
Segundo a Chift, os recursos serão usados para levar a operação a todos os grandes mercados europeus e aprofundar a aposta em IA, conectando produtos de inteligência artificial que precisam de dados financeiros e criando integrações que se configuram sozinhas, em vez de exigir instalação manual. A empresa também sustenta que sua tecnologia fica mais relevante à medida que novas regras de nota fiscal eletrônica obrigam as pequenas e médias empresas europeias a digitalizar suas finanças.
“IA e nota fiscal eletrônica estão reconstruindo todo o mercado de software financeiro, e as empresas rodam sobre mais ferramentas do que nunca. A interoperabilidade está se tornando o problema central das finanças das pequenas e médias empresas na Europa”, diz Gauthier Henroz, presidente-executivo e cofundador da Chift. A Série A da startup soma-se a um fluxo constante de capital para startups que fecham rodadas Série A apostando na camada de dados por trás do software financeiro.
O que observar
A conectividade entre sistemas financeiros vira disputa de infraestrutura à medida que a automação por IA depende de acesso padronizado aos dados que já circulam no software das empresas. A hipótese a acompanhar é se uma camada única de integração se sustenta como categoria própria ou se acaba absorvida pelos grandes provedores de software e pagamentos. Vale observar ainda se exigências regulatórias de digitalização fiscal em diferentes países aceleram a demanda por essas pontes ou se a fragmentação entre jurisdições segue como o principal obstáculo.
Fontes: Finextra • EU-Startups • Let’s Money • Let’s Money