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Egan deve trocar o Santander pela B3 dois meses após assumir

Dois meses após assumir no Santander, Christian Egan deve ser o novo presidente da B3. Conselho dividido e Bettamio (BofA) declinou o posto.

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Atualizado em

Piotr Swat / Shutterstock.com

Dois meses após ser anunciado como chefe de corporate e investment banking do Santander Brasil, Christian Egan deve assumir a presidência da B3, segundo fontes do conselho consultadas pelo Valor Econômico. A escolha surpreende o mercado, que apostava em Luiz Masagão, atual vice-presidente de produtos e clientes da bolsa, como o sucessor natural de Gilson Finkelsztain.

Sucessão na B3: os três candidatos

Candidato Posição atual Desfecho
Luiz Masagão VP de produtos e clientes, B3 Favorito do mercado; dividiu conselho
Alexandre Bettamio Co-head global IB, Bank of America Convidado pelo conselho; declinou
Christian Egan Head de corporate & IB, Santander Deve ser anunciado presidente

Apuração sobre o processo de sucessão da B3. Fonte: Valor Econômico

Finkelsztain sai, concorrência chega

Gilson Finkelsztain comanda a B3 desde 2017 e deve deixar o cargo para assumir a presidência do Santander Brasil. O processo de sucessão na bolsa começou em meados de julho de 2025, com a contratação da consultoria de recrutamento executivo Russell Reynolds.

O timing não é trivial: ao menos três novas bolsas se preparam para disputar fatias do mercado hoje dominado na prática pela B3, incluindo iniciativas que têm, entre seus sócios, executivos que passaram pela própria bolsa. A expansão da B3 para infra de crédito, com a compra de 62% da Shipay em agosto de 2025, sinaliza que a bolsa já vinha reposicionando seu modelo antes mesmo da troca de comando.

Um conselho dividido

Masagão era, para boa parte do mercado, o candidato óbvio: conhece a casa, lidera a relação com clientes e tocou operações críticas da bolsa. Mas fontes do conselho relataram ao Valor que parte do colegiado, incluindo o presidente Caio Ibrahim David, resistia à sua promoção. O próprio nome de Ibrahim David chegou a ser considerado, mas descartado por conflito de interesse e por avaliações sobre perfil técnico para o cargo.

Alexandre Bettamio, que retorna ao Brasil após 12 anos em Nova York para chefiar globalmente o investment banking do Bank of America, foi convidado pelo conselho e era o preferido de Ibrahim David. Bettamio declinou. Com a negativa, a ala resistente a Masagão viu em Egan uma saída: além do perfil de mercado de capitais, ele e Ibrahim David têm histórico conjunto no Itaú BBA, onde Egan acumulou 11 anos, os últimos quatro como chefe de mercados globais e tesouraria.

O que observar

A pergunta mais relevante não é quem presidirá a bolsa, mas com qual mandato. Presidentes escolhidos sob resistência interna no conselho enfrentam ponto de partida mais frágil para decisões que exijam velocidade. No médio prazo, a instituição precisará definir respostas concretas à entrada de novos competidores: precificação de serviços, relacionamento com corretoras e possível reposicionamento em segmentos onde rivais têm vantagem estrutural.

Vale acompanhar também a dinâmica entre o novo presidente e o conselho de administração. Se a escolha refletir alinhamento estratégico real entre os dois, a sinergia pode acelerar decisões. Se houver tentativa de afirmação de autonomia, o histórico de racha no processo seletivo pode criar fricção. O fato de a bolsa afirmar que o processo ainda não foi concluído deixa em aberto se o anúncio virá com ou sem surpresas adicionais.

Fontes: Valor EconômicoBloomberg LíneaLet’s Money

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